|
Entrevista - Dr. Stan Grof (parte II)
A
Psiquiatria e a Psicologia nos Séculos XX e XXI
As
fontes das entrevista de Omega com Grof foram as fitas gravadas
nos Congressos Internacionais de Psiquiatria e Psicologia Transpessoal
de Manaus (AM) e Águas de Lindóia (SP) acrescidos das perguntas
gravadas nas duas palestras proferidas por Grof durante a sua
estada em Salvador (BA) em novembro de 2001.
Revista Omega -
Como e por que surgiu a Psicologia Transpessoal?
Stan Grof - Nos últimos
anos se tem visto que nossos pressupostos básicos e nossa forma
tradicional de pensar quem e o que somos, ao invés de serem generosos,
foram mesquinhos com a condição humana. Existe esmagadora evidência
proveniente de todas as disciplinas científicas que confirmam
que temos grandemente subestimado o potencial de crescimento e
de bem-estar psicológico do ser humano. Os mais modernos dados
apontados recentemente por estas disciplinas não coincidem com
os nossos modelos psicológicos tradicionais. Em resposta a todas
estas incongruências, surgiu nos anos 60 a Psicologia
Transpessoal, como forma de integrar estes novos achados
referentes à capacidade expansiva do ser humano. Para
consegui-lo, se nutre de toda a ciência ocidental e de toda a
sabedoria oriental.
Omega - Qual
seria para você uma definição atual de Psicologia Transpessoal?
Grof - É a que, baseando-se em todos os estudos
e investigações realizadas até hoje no Oriente e Ocidente, expande
infinitamente o campo da pesquisa psicológica para incluir o estudo
de todos os caminhos que levam a um bem-estar psicológico ótimo
e a uma saúde perfeita. Ela reconhece o potencial de todos
os seres humanos para experimentar um amplo espectro de estados
de consciência nos quais a identidade vai bem além dos limites
habituais do ego “encapsulado na pele”.
Omega - Como
o primeiro número do “Journal of Transpersonal Psychology”, editado
por você em 1969, definiu as suas áreas de interesse?
Grof - Foram definidos como áreas de interesse para
publicação, os trabalhos empíricos, artigos e estudos sobre os
processos, valores e estados transpessoais, a consciência unitiva,
as experiências “cume” ou “pico”, o êxtase, a experiência mística,
o Ser e a Essência, a beatitude, a reverência, o assombro, a autotranscendência,
todas as teorias e práticas de meditação, os caminhos espirituais,
a compaixão, a cooperação e a atualização das informações transpessoais.
Omega - Como
surgiu o termo Transpessoal?
Grof - O termo foi adotado depois de intensas deliberações,
e hoje é reconhecido no mundo inteiro como o mais apropriado
para referir-se a todas as experiências que exigem ampliar nossa
identidade para muito além da individualidade . Portanto, definitivamente
não é um novo modelo da personalidade, já que esta só é um pequeno
aspecto da nossa natureza; é muito mais uma indagação
sobre a natureza da Essência do Ser.
Omega - Você
fala de modelos. O que é um modelo em Psicologia?
Grof - São representações simbólicas que descrevem
os principais traços e dimensões dos fenômenos que representam.
Implicam porém vários perigos importantes: condicionam a percepção,
delimitam âmbitos de investigação, dão forma e determinam a interpretação
dos dados e experiências de maneira a obter resultados que esses
próprios modelos profetizam. Por exemplo: tanto o modelo freudiano,
que vê como primeiro motivador a libido sexual, como o adleriano,
que o busca na luta pelo poder e na superioridade, como o condutista
que o procura nos reforços ambientais, todos eles provavelmente
terão sucesso nesta busca. Estas características autoproféticas
e auto-realizadoras destes modelos que se autovalidam são um perigo
para a verdadeira percepção, porque, uma vez integrados, passam
a operar em níveis inconscientes. Até chegar ao transpessoal,
todas as psicologias só foram modelos.
Omega - Se
a Psicologia Transpessoal não é um modelo,então é um paradigma?
Grof - O exemplo na Física são o paradigma newtoniano
e o quântico. Neste contexto ou “container” de determinadas formas
de conhecimento e investigação se exclui inevitavelmente outras
fontes de informação, tal como acontece com qualquer teoria ou
modelo. Os paradigmas configuram a percepção, a indagação e a
interpretação, de forma que se tornam autovalidantes. Isto quer
dizer que todo paradigma fundamenta a validez dos seus pressupostos
e, por conseguinte, termina funcionando como crenças que determinam
o que terá acesso à consciência e o que continuará sendo inconsciente.
Só isto já determina uma realidade cultural. E por isso
que é tão difícil ver através do próprio sistema cultural de crenças,
do próprio paradigma e esta capacidade só se pode cultivar através
do contato íntimo com outras culturas e crenças.
Omega - O transpessoal
representa então uma mudança de paradigma na psicologia ocidental?
Grof - Paradoxalmente, sim e não. Por um lado, isto
é exatamente o que a Psicologia Transpessoal tem feito: uma mudança
total de paradigma na psiquiatria e na psicoterapia ocidental,
resultado de um profundo e minucioso estudo transcultural no mundo
inteiro sobre a natureza da consciência e da realidade, que inclui
os estados de consciência mais altos que podemos imaginar. Neste
sentido não é um novo paradigma, já que seu campo de estudo ficou
ilimitado. Todos os milenares sistemas não-ocidentais
refletem enfoques complexos e altamente sofisticados sobre a natureza
humana e a potencialidade da sua mente. Reconhecido o
tamanho das nossas limitações ocidentais, ficou aberto o caminho
para a expansão da teoria psicológica de forma ilimitada e, para
tentar através do Transpessoal fundir as visões do Oriente e do
Ocidente e transcender a ambas, deixando seu campo de
estudo para sempre aberto por ser infinito, como o é a própria
Consciência.
Omega - Qual
é a importância do paradigma transpessoal no trabalho terapêutico?
Grof - Por reconhecer um espectro muito mais amplo
da consciência e portanto um maior potencial de bem-estar psicológico
e transcendência dos admitidos pelos enfoques tradicionais, a
perspectiva transpessoal nos oferece todas as condições de trabalhar
num contexto de amplitude ilimitada. Por aceitar a relevância
das vivências transpessoais - transcendentais, as trata de maneira
adequada, como valiosas oportunidades de crescimento. Todos
os modelos psicológicos que não reconhecem a possibilidade da
percepção transpessoal, interpretam estas experiências de um ponto
de vista inadequado e patologizante, o que leva os indivíduos
a suprimi-las e ocultá-las como única forma de evitar o risco
de internações psiquiátricas.
Omega - De
acordo com o que você diz, a psicoterapia atinge um momentum em
que se torna indistinguível da indagação filosófica e espiritual
sobre a nossa identidade cósmica?
Grof - Sim. Várias formas da Filosofia Perene e
seus sistmas espirituais e psicológicos associados fornecem um
excelente mapa do território a ser percorrido neste estágio avançado
pelo paciente e pelo terapeuta que a esta altura já se tornaram
viajantes companheiros de jornada e exploradores das dimensões
desconhecidas da psique.
Omega - De
que depende que se concretize no processo terapêutico, o que você
chama de “trabalho de viajantes companheiros de jornada”?
Grof - Depende: 1º) de até onde o terapeuta chegou
em sua própria caminhada; 2º) de seu sistema de crenças do qual
deriva a sua orientação profissional; 3º) da técnica terapêutica
utilizada; 4º) da personalidade, sistema de crenças e atitudes
do paciente; e 5º) da qualidade ou “rapport” que se consiga atingir
no vínculo terapêutico.
Omega - De
acordo com a Psicologia Transpessoal, o universo da Consciência
não está só dotado de muitos níveis, mas também de muitas dimensões.
O que acontece quando se pretende interpretar isto a partir de
uma ótica materialista-psicanalítica?
Grof - A descrição linear do modelo newtoniano-cartesiano-freudiano
é indubitavelmente incompleta e está repleta de inconsistências
internas que entram em conflito com outras teorias e modelos da
personalidade. O maior problema da psicoterapia ocidental é o
fato de que cada um de seus grandes pesquisadores fixou
sua atenção num determinado nível da consciência e generalizou
suas descobertas à totalidade da psique humana. São portanto
essencialmente incorretos, apesar de ter utilidade na faixa ou
nível que descrevem, mas nenhum deles é suficientemente amplo
nem completo, para justificar seu uso como único método. Hoje,
para sermos realmente eficazes na psicoterapia e auto-exploração
precisamos de um marco teórico ampliado e baseado no reconhecimento
dos múltiplos níveis da consciência.
Omega - Freud
iniciou a Psicanálise. Descreva este feito ímpar.
Grof - O logro extraordinário deste homem, que ainda
não era psiquiatra e sim neurologista, foi vasto e diverso. Ele
inventou o método da livre associação, demonstrou a existência
de uma mente inconsciente e descreveu sua dinâmica, formulou os
mecanismos básicos envolvidos na etiologia das psiconeuroses e
várias outras desordens emocionais, descobriu a sexualidade infantil,
esboçou as técnicas de interpretação de sonhos, decreveu os fenômenos
da transferência e desenvolveu os princípios básicos da intervenção
em psicoterapia. Porém, por ter estado submetido à potente influência
de seu mestre Ernest Bruecke, que visava introduzir os princípios
do pensamento cientifico de Newton em todas as demais disciplinas,
Freud modelou a sua descrição dos processos psicológicos estritamente
de acordo com o mecanicismo newtoniano. Os quatro princípios básicos
do enfoque psicanalítico — dinâmico, econômico, topográfico e
genético — têm um paralelismo exato com os quatro princípios básicos
da física newtoniana.
Omega - Descreva
os princípios teóricos básicos da Psicanálise.
Grof - O estrito determinismo dos processos mentais
foi uma das contribuições básicas de Freud. Ele considerava que
todo sucesso psicológico era a conseqüência e ao mesmo tempo a
causa de outros. O enfoque psicogenético da Psicanálise tenta
explicar as experiências e as condutas individuais em termos de
etapas ontogenéticas. Isto significa que, para uma plena compreensão
do comportamento atual do paciente, é necessária uma exploração
de seus antecedentes, em particular da sua história psicossexual
da primeira infância, do desenvolvimento da libido, da solução
da neurose infantil, da resolução dos temas edípicos e todos os
conflitos sexuais, que para Freud determinam de modo crítico o
resto da vida de todo indivíduo. É idêntico à mecânica
newtoniana no seu uso do conceito de trajetória visualizável em
relação aos impulsos instintivos; inclui: a fonte ou origem,
o ímpeto, a direção e o objetivo. Para Freud, a história
psicológica do indivíduo começa com o nascimento, e se refere
a todo recém-nascido como uma “tabula rasa”.
O desenvolvimento sexual das primeiras etapas (fases oral, anal,
uretral e genital) culmina com o complexo de Édipo ou Electra,
significando isto uma atitude positiva para com o genitor do sexo
oposto e antagônica para com o do mesmo sexo. Nesta etapa
Freud atribui um papel fundamental à sobrevaloração do pênis e
ao complexo de castração. O menino abandona suas tendências
edípicas por temor à castração. A menina traslada ao pai o apego
que originariamente tinha tido com o seio e o amor materno porque
se sente “castrada” e espera receber um pênis, ou um filho de
seu pai.
Fixações em diversas etapas ou a não-solução da situação edípica
convertem-se então em psiconeuroses, perversões sexuais e outras
formas de psicopatologias. O sadismo, por exemplo, foi interpretado
como uma fusão de sexo e agressão, devido primordialmente à frustração
dos desejos infantis. Tudo isto dá uma imagem essencialmente
negativa da natureza humana: uma mente conduzida por instintos
básicos, onde a sexualidade e a agressividade são componentes
intrínsecos e essenciais.
"
Os analistas se negam a interagir com marido ou esposa
ou quaisquer outros familiares do paciente, ou a incluí-los
de qualquer forma no processo terapêutico".
|
Omega
- Fale do conceito psicanalítico na situação terapêutica.
Grof - Aqui também se vê claramente a potente
influência da ciência mecanicista newtoniana-cartesiana na
teoria freudiana. A organização terapêutica básica com o paciente
deitado no divã e o analista invisível e desvinculado afetivamente,
sentado por detrás de sua cabeça, caracteriza o ideal
impossível de “observador objetivo”. Reflete a firme
crença da ciência mecanicista de que podem ser feitas observações
científicas sem a interferência com o objeto ou processo estudado.
A dicotomia cartesiana entre mente e corpo encontra também
sua expressão máxima na prática psicanalítica e em seu enfoque
exclusivo nos processos mentais. As manifestações físicas
são interpretadas como reflexo de eventos
psíquicos. A expressão das emoções também
não é vivenciada, e sim analisada. Como não se inclui nenhum
tipo de intervenção física por parte do analista, já
que existe um potente tabu contra todo contato físico com
o paciente, apoiá-lo na expressão plena das suas
emoções (raiva, medo, tristeza profunda)
se torna totalmente inviável e desaconselhável, por interferir
diretamente no processo transferência-contratransferência.
O espaço analítico se tornou uma “bolha isolada” dos eventos
sociais, como se fosse possível analisar alguém sem se levar
em conta as influências dos contextos. Os analistas
se negam a interagir com marido ou esposa ou quaisquer outros
familiares do paciente, ou a incluí-los de qualquer forma
no processo terapêutico. Além de subestimar os fatores
sociais dos seus casos, opõem-se a todo reconhecimento autêntico
de fatores transpessoais e espirituais na dinâmica dos transtornos
emocionais.
O que se analisa é a forma que tomam os impulsos instintivos
que se esforçam por expressar-se e descarregar-se e as diversas
forças antagônicas que os reprimem. Esta análise de resistências
depende exclusivamente de meios verbais. Na sessão
analítica, o paciente se encontra em uma situação passiva,
submissa e altamente desvantajosa. Suas perguntas
não são respondidas, e o analista, que está em pleno controle
da situação, pode optar pelo silêncio absoluto ou pela interpretação,
qualificando todo desacordo por parte do paciente
como resistência. Pressupõe-se em toda esta teoria
que o analista se mantenha objetivo, impessoal, desvinculado
emocionalmente, para poder assim manter sob controle todo
sintoma de “contratransferência”. É óbvia a influência
do modelo médico de poder.
Omega -
Qual é então o objetivo da terapia analítica?
Grof - Ela se concentra na reconstrução do passado
traumático e na sua repetição na atual dinâmica da transferência;
baseia-se portanto em um modelo histórico, estritamente determinista.
O conceito de Freud de melhora é perfeitamente mecanicista:
promove a liberação da energia aprisionada pelas neuroses
e seu uso através da sublimação para fins construtivos. Freud
definiu explicitamente com suas próprias palavras o objetivo
primordial da psicanálise, que é: “passar do sofrimento extremo
próprio do neurótico à miséria normal da vida cotidiana”.
Esta pobreza de objetivos ficou obviamente obsoleta em nosso
século XXI, no qual podemos ver claramente a grandeza e a
alegria que a alma humana é capaz de atingir.
A falácia fundamental da Psicanálise constitui sua ênfase
exclusiva em sucessos biográficos e no inconsciente individual.
Ela tenta generalizar suas descobertas de uma estreita faixa
superficial da consciência para abarcar outros níveis e até
a totalidade da psique humana. Porém as terapias
experienciais atuais, apontam uma quantidade esmagadora de
provas de que os traumas infantis, não representam
as causas patogênicas primordiais, senão que recriam
as condições que facilitam a manifestação de conteúdos e energias
de níveis muito mais profundos da psique. Os transtornos emocionais
são gerados por uma complexa estrutura dinâmica multidimensional
de amplo espectro. A faixa biográfica desta vida representa
somente um componente desta complexa estrutura, e os problemas
que a envolvem quase sempre têm suas raízes nos níveis transpessoais
da realidade.
Omega -
Qual seria o ponto mais fraco da Psicanálise?
Grof - Provavelmente seja o da sexualidade feminina
ou o da feminilidade em geral, pois carece de uma compreensão
genuína da psique feminina e trata essencialmente as mulheres
como varões castrados. Além disso, no campo da psicopatologia,
a Psicanálise não encontrou explicações satisfatórias para
fenômenos tais como, o sadomasoquismo, a automutilação e o
assassinato sádico, dentre outras. Não conseguiu explicar
convincentemente observações históricas e antropológicas relevantes,
tais como o xamanismo, os rituais de passagem, as experiências
visionárias, os mistérios religiosos, as tradições místicas,
as guerras, o genocídio nem as revoluções sangrentas. Nenhum
destes fenômenos pode ser compreendido de forma adequada sem
uma compreensão transpessoal da psique.
A carência geral de eficácia da Psicanálise como instrumento
terapêutico deve ser mencionada como uma das limitações mais
graves desta teoria, que é por outra parte fascinante, e aportou
sem dúvida idéias brilhantes.
Omega -
Como os temas da morte e do nascimento são vistos por Freud?
Grof - Para ele, a morte em princípio não tem
representação no inconsciente. Em momento algum compreendeu
que nascimento, sexo e morte formam uma tríade inextricável
e estão intimamente relacionadas com a morte do ego.
O nascimento e a morte são acontecimentos de fundamental importância,
que ocupam uma meta-posição com relação a todas as outas experiências
da vida. São o Alfa e o Ômega da existência humana; todo
sistema psicológico que não as incorpore será superficial,
incompleto e de eficácia limitada. O fato da Psicanálise
não ser aplicável à maioria dos aspectos da experiência psicótica,
às numerosas observações antropológicas, à quase nenhum dos
fenômenos parapsicológicos, nem à psicopatologia social grave
(guerras, revoluções, totalitarismo e genocídio) reflete claramente
que estes aspectos se caracterizam por uma participação essencial
da dinâmica transpessoal, e portanto estão claramente fora
do alcance da Psicanálise.
"A
faixa biográfica desta vida representa somente um
componente desta complexa estrutura, e os problemas
que a envolvem quase sempre têm suas raízes nos níveis
transpessoais da realidade".
|
Omega -
Fale um pouco dos discípulos mais importantes de Freud, e
seus aportes à teoria e técnica da psicoterapia.
Grof - A psicologia individual de Alfred Adler
continuou limitando-se exclusivamente ao nível biográfico,
mas contrastando com a ênfase determinista de Freud. Adler
foi claramente teleológico e finalista, ou seja, se interessou
pelo propósito e significado final da vida. Para
ele, o princípio que dirige todas as neuroses é o objetivo
de converter o indivíduo em um “homem completo”.
Este impulso em direção à superioridade, à totalidade e à
perfeição representa a necessidade profunda e inconsciente
de compensar sentimentos de inferioridade e inadequação. Em
última análise, a busca pela superioridade, perfeição e inteireza,
significa uma profunda procura pelo significado da vida. O
complexo de inferioridade conduz, em Adler, através dos mecanismos
de sobrecompensação, a graus extraordinariamente altos de
performance, como o demonstra seu exemplo predileto: Demóstenes,
o qual tendo nascido gago, se converteu no mais brilhante
orador da Grécia antiga. Segundo Adler, os processos
conscientes e inconscientes não entram necessariamente em
conflito, representando dois aspectos de um sistema unificado
(yin e yang) encaminhando-se ao mesmo fim. Nos tornamos
inconscientes dos pensamentos e sentimentos que entram em
dolorosa contradição com a nossa auto-imagem idealizada.
Devido à enorme complexidade da mente humana, podem ser elaboradas
inúmeras teorias diferentes, todas aparentando serem lógicas,
coerentes e refletindo observações importantes sobre certos
aspectos da realidade psíquica, sendo, não obstante, incompatíveis
entre si, e inclusive mutuamente contraditórias. De qualquer
forma, devemos compreender que Freud e Adler estão falando
de diferentes níveis do espectro, tão bem como o define Ken
Wilber, no seu livro “O Espectro da Consciência”.
Omega -
Quais foram as contribuições de Wilhelm Reich?
Grof - Aos 24 anos Reich já era psiquiatra e
psicanalista e o próprio Freud lhe deu a direção dos famosos
seminários das quartas-feiras. Além disso era membro ativo
do Partido Comunista Austríaco. Concordava com a grande importância
dos fatores sexuais na etiologia das neuroses, mas enfatizou
a “economia sexual” que segundo ele, era o equilíbrio entre
carga e descarga de energia, entre excitação e relaxamento
sexual. Para ele, a supressão social das sensações
sexuais junto com as atitudes que a acompanham constituem
a verdadeira neurose. O sintoma clínico é simplesmente
sua manifestação exterior. Os traumas originais e a excitação
sexual são contidos pelos complexos padrões das tensões musculares
crônicas - a “couraça do caráter”. O termo
“couraça” ou “armadura muscular” refere-se
a função de proteção do indivíduo contra experiências dolorosas
e ameaçadoras. Para Reich a influência repressora da sociedade
era o fator crítico que contribuía para o orgasmo sexual incompleto
e para o congestionamento da bioenergia. Um indivíduo neurótico
só consegue manter seu equilíbrio, consumindo seu excesso
de energia em tensões musculares, limitando assim sua excitação
sexual. Um indivíduo saudável não tem esta limitação; sua
energia não se liga à armadura muscular nenhuma, e pode fluir
livremente.
A contribuição de Reich para a terapia é significativa e de
valor duradouro. Sua insatisfação com os métodos da psicanálise
levaram-no ao desenvolvimento de um sistema denominado “Análise
do caráter” e, mais tarde, “Vegetoterapia analítica do caráter”.
Reich usava hiperventilação, uma variedade de manipulações
do corpo e contato físico direto para mobilizar energias reprimidas
e remover bloqueios. De acordo com ele, a finalidade
da terapia era que o paciente se rendesse totalmente aos movimentos
espontâneos e involuntários do corpo, os quais são normalmente
associados aos processos respiratórios. Se isto fosse
possível, as ondas respiratórias produziriam um movimento
oscilante no corpo, que Reich chamou de “reflexo do
orgasmo”. Ele acreditava que os pacientes que conseguissem
tal resultado na terapia, seriam capazes de se render totalmente
numa situação sexual, alcançando um estado de plena satisfação.
O orgasmo completo descarrega todos os excessos de energia
do organismo, e o paciente livra-se dos sintomas.
Por causa destas idéias foi expulso da Associação Psicanalítica
Internacional e também do Partido Comunista Austríaco, porém
hoje avaliamos sua enorme contribuição nas áreas dos processos
bioenergéticos e seus correlatos psicossomáticos. Ele sentiu
a existência de imensos potenciais de energia subjacentes
a todos os processos neuróticos e compreendeu, já
em 1927, quando publicou “A função do orgasmo”, que era uma
futilidade improdutiva, abordá-los apenas verbalmente.
Sua compreensão da “couraça” ou “armadura muscular” na cronificação
das neuroses são confirmadas pelo trabalho com doses altas
de LSD. A confrontação do paciente com o
âmago de seus conflitos psicológicos é quase sempre acompanhada
por violentos tremores, estremecimentos, contorções, posturas
extremas prolongadas, caretas, emissão de sons e vômitos.
A congestão da energia sexual no organismo por causa da repressão
social, inibe o orgasmo sexual total, e isto provoca o bloqueio
da libido no organismo, o qual se expressa para Reich, numa
variedade de fenômenos patológicos que vão da neurose ao sadomasoquismo.
Mesmo inconvencionais, e até indisciplinadas, as especulações
de Reich são, em essência, freqüentemente compatíveis com
os modernos conceitos da ciência. Pelo seu modo de encarar
a natureza, ele aproximou-se da visão de mundo sugerida pela
física quântico-relativista, enfatizando a unidade cósmica
subjacente. Reconheceu o papel ativo do observador,
lembrando as especulações filosóficas de
David Bohm.
Várias vezes Reich oscilou à beira da compreensão transpessoal
e vislumbrou uma consciência cósmica que expressou como a
“Energia Orgônica Universal”, porém ele nunca
alcançou verdadeira compreensão ou apreciação das grandes
filosofias espirituais do mundo.
Em suas apaixonadas incursões críticas contra a espiritualidade,
confundia misticismo com versões superficiais e distorcidas
das principais doutrinas religiosas. Foi ele quem se opôs
mais ferreamente ao interesse de Jung pelo místico. Para ele,
inclinações místicas reforçavam a armadura e provocavam uma
grave distorção da economia orgônica, e nas próximas citações
o expressa claramente: “Medo da morte e de morrer são idênticos
a um orgasmo incompleto, ansiedade frente ao” suposto “instinto
da morte. “Deus é a representação das forças vivas naturais,
da bioenergia do homem, e em nenhum lugar está tão claramente
expresso como no orgasmo sexual. O demônio é a representação
das forças que levam a perversão e distorção destas forças
vivas”.
Em contraste direto com as observações psicodélicas, Reich
afirmava que as experiências místicas desaparecem se a terapia
consegue desmontar a couraça. Em sua opinião, “a potência
orgástica não é encontrada entre os místicos, assim como o
misticismo não é encontrado entre os orgasticamente potentes”.
Hoje sabemos que esta afirmação está errada.
|
|
Emilio
Rodrigué, Mestre da Psicanálise, fala aos Oitenta
Emilio
Rodrigué é sem dúvida um dos mais notáveis psiquiatras-psicanalistas
de Iberoamérica. Foi, em diversos períodos, Presidente da
Associação Psiquiátrica Argentina, Vice-presidente da International
Psychoanalitical Association (IPA), e Presidente da Federação Argentina
de Psiquiatras em seu período ideologicamente mais fecundo,
antes da ditadura. Estudou, a partir de 1947, com
os maiores expoentes da psicanálise mundial, que na pós-guerra estavam
na Inglaterra e nos EUA.
Na
Tavikstock Clinic de Londres, estudou com Melanie Klein,
Anna Freud, Robert Bion, e se analisou com Paula
Heyman. O período de Londres foi de 1947 a 1951. De 1958
a 1962 passou mais de quatro anos na famosa Comunidade Terapêutica
“Austen Riggs” de Stockbridge, Massachusets , perto
de Harvard, onde trabalhavam os mestres da psicanálise
norte-americana Erik Erikson e David Rappaport,
dentre outros, e que era dirigida por Robin Knight.
Por lá passaram de Tennesse Williams a Bob Dylan. Destes quatro
anos nasceu seu clássico e internacionalmente conhecido livro “Comunidades
Terapêuticas”. Já há mais de 50 anos,
ensinava psicanálise aos psiquiatras uruguaios da Universidade da
República, tal como consta no N° 2 da Revista Uruguaia
de Psicanálise de 1952.
A
partir de 1974 começou a ensinar à várias gerações
de analistas baianos. Escritor prolífico, mostra em sua monumental
e mais recente obra em 3 volumes, “O Século
da Psicanálise”, como escreve bem, quão profundamente conhece
aquilo do que escreve, e como sua mente está mais lúcida a cada
ano que passa.
Em 1982, como já era tão reconhecido internacionalmente
como psicanalista inovador e indomável, alguns membros do staff
do Hospital Psiquiátrico de Palma de Maiorca, nas Ilhas Baleares
de Espanha, o convidamos para ministrar um Laboratório-Workshop
sobre “A Loucura do Nosso Medo”. Foi tão marcante
para todos nós, que Emílio escreveu sobre ele um
dos seus mais belos livros, “O Último Laboratório”
(Ed. Imago, RJ, 1983).
Quando vim morar em Salvador em 83, Emílio me hospedou em sua casa
durante meses, e me abriu todos os caminhos profissionais. Esta
entrevista tem para mim um tom especial de gratidão e reconhecimento
à alguém que vem nos ensinando tanto, há já tanto tempo.
Hoje, depois de 56 anos! (oito setênios) de exercício
da profissão, ou seja, 150 mil horas de escuta atenta da
alma humana, desfrutemos do que ele tem a nos dizer.
Revista
Omega - Como é para você, que é uma figura
emblemática na psicanálise latino -americana, observar o declínio
da psicanálise?
Emilio
Rodrigué - Uma vez mais: declínio, vírgula. Eu acho
que a psicanálise cavalga entre dois períodos, fases ou paradigmas.
É a diferença que medeia entre “O Futuro de uma ilusão”
e “O Mal-estar na cultura”. O Futuro
é um texto iluminista, o Mal-estar é pós-moderno.
Retomemos o assunto: eu assino tranqüilamente o certificado de defunção
da International Psychoanalitical Association e
estou pronto a fazer outro tanto com a École de Paris de
Jacques-Alain Miller. Lamento ambos decessos e até iria
a ambos velórios, deixando uma saudosista flor.
A psicanálise, hoje em dia é outra coisa. Brota nas margens e se
expande. Eu a colocaria nos seguintes termos: Freud fundou a hermenêutica
moderna, e esse Freud, em meu caderno de bitácora, é o tronco paterno
que inclui Jung, Adler, o injustiçado Stekel
e o mártir Reich. Trata-se de uma árvore que abarca
o psicodrama e a psicologia social de Pichon Rivière
e que inspira Devereux na Etnopsiquiatria. Como
pai da hermenêutica moderna ele foi o ponto de partida de Rority
e a lógica contingente. Detrás de Badiou e de Derrida encontramos
a Freud.
Omega - Você
se formou médico psiquiatra em 1947 e viajou extensamente por vários
centros de excelência de conhecimento durante os anos dourados da
Psicanálise. Que diria aos que estão começando o caminho hoje?
ER - São outros tempos. Quando comecei a assistir
seminários, em 1947, a Associação Psicanalítica Argentina
tinha um local pequeno, com uma sala onde cabiam umas 15
pessoas. Eram os tempos de Perón e os seminários
só podiam ser dados quando um policial, de pé, estava presente.
Então, nosso divertimento era escandalizar o homem da lei. A dito
fim, líamos em voz alta o trabalho de Garma, totalmente irreverente
em relação à Virgem e aos Reis Magos. O policial abria olhos enormes.
Tempos pioneiros. Isto nos lembra as famosas reuniões
das Quartas Feiras na casa de Freud. Stekel rememora:
“As reuniões eram fonte de inspiração. Elegíamos um tema
ao acaso e todos participávamos da discussão. Existia uma perfeita
orquestração entre nós . Éramos pioneiros em terras ignotas e Freud
era nosso líder. Faíscas saiam de nossas mentes e uma nova revelação
nos aguardava a cada noite”.
Não se pode mais, ser pioneiros em terras ignotas. Ou talvez sim.
Eu aconselharia de fazer o que estou fazendo. Trata-se de um laboratório
individual de uma só sessão. Laboratório individual para atender
a um paciente, ou a um casal, com uma montagem grupal. É um encontro
prolongado de aproximadamente 3 horas, onde se aplicam técnicas
alternativas sob uma regência psicanalítica. Sessão única,
que tem começo meio e fim.
Omega - Que nome
você deu a esta inovadora técnica?
ER - Quando comecei a trabalhar dessa forma, os cariocas
a batizaram de “Shampoo” e os madrilenhos de “Sauna”.
Este invento foi filho da necessidade. Comecei a usá-lo em meus
anos de psicoargonauta, quando, exilado, trabalhava em Bahia,
e dai partia para Rio, São Paulo, México, Madri e Valência. Psicanalista
itinerante. Foi na década dos 70, sob os efeitos do maio francês,
e eu estava também bastante influenciado pelas terapias alternativas.
Esalen em Big Sur na Califórnia, era a Mecca.
Foi a época de Perls, Price e os neoreichianos.
Depois, quando retornei ao redil freudiano, arrependido por minha
heterodoxia, não soube apreciar o quanto aprendi nestes anos
“heréticos”.
Por Mário Rodriguez
|
|
Psiquiatria,
Saúde Mental e a Lei do Amor
Trabalhando
com Psiquiatria por quase 20 anos, a minha energia se moveu
por diferentes emoções e sentimentos. Passei da curiosidade
à pena, ao horror, ao desejo de ajudar, ao desafio, à frustração.
Decidi-me pela psiquiatria movida por um sentimento humanitário
e idealista, e uma certa onipotência imatura de ocupar-me
com o que na minha percepção, havia de pior na medicina.
Passei pelos hospícios aprendendo, me indignando, e também
querendo consertar. Hoje, já há alguns anos do lado de fora
dos muros dos Hospícios, aprendi que o novo sempre surge do
novo, do inédito, do inaudito, do inusitado, porém trazendo
a experiência do velho.
A
psiquiatria, sempre foi um desafio, e continua sendo, um magnífico
desafio! Estes são sempre extraordinários, pois trazem
energia, coragem e estímulo. Se não há a força da vontade,
melhor desistir, pois as dificuldades são maiores que as facilidades.
Precisamos aprender a lidar com a impotência, a frustração
e a paciência de respeitar o tempo do processo do outro. Nesta
caminhada, é fundamental a companhia do amor. Se me centro
Nele quando estou com o outro, este amor que acolhe, e que
também dá limites, vibra em mim e reverbera nele. Assim, planto
saúde.
Fazer uma nova prática em Saúde Mental, é a minha luta desde
que encontrei dentro de mim a chave de saída do Hospício.
O amor é a única energia que move para a cura.
Favorecer a não cronificação, não institucionalizar, trabalhar
a resistência, desejar pelo outro e estimulá-lo a
desejar, acompanhá-lo em seus fracassos, estabelecer
acordos, dar limites. É a minha forma de fazer Saúde Mental.
Se há harmonia entre o ego e o Self, gerando bem-estar psicológico,
alegria de viver, e coragem para novos desafios existenciais,
há Saúde Mental. Possuí-la é ser verdadeiro com os sentimentos,
é ter autenticidade, ser íntegro no que se faz, ter consciência
dos próprios conflitos, limites e medos, olhar para dentro
de si com a coragem de fazer contato com o que lá existe.
Saúde mental é abertura, expansão, expressão. É um labor de
todos os dias, de honestidade consigo mesmo, sem dissimulações.
Loucura é uma forma de retração, de contração, de constrição
da mente centrada apenas em seu aspecto individual, é uma
visão restrita da realidade. Toda vez que vemos algo por apenas
um aspecto, ângulo ou perspectiva, estamos a caminho da loucura.
Promover saúde é antes de tudo, fazê-lo em si mesmo. Não podemos
criar saúde no outro. Curando-nos, estamos contribuindo para
que o outro encontre o seu caminho. É apenas contribuir, colaborar,
pois cada um produz a sua saúde, ou sua doença, que são processos
dinâmicos. Nunca estamos inteiramente saudáveis, ou inteiramente
doentes.
Asilo, hospício, é igual a depósito, estagnação, falta de
movimento. No asilo você já não deseja, logo, também não se
frustra. Muitos preferem não desejar. Faço parte
dos que escolhem desejar, mesmo sabendo que isto pode significar
se frustrar. Prefiro a inquietação do dia-a-dia, que a calma
da acomodação. Insistir, persistir, e não desistir. Aguardar
o tempo que fará brotar as sementes que deixamos em nosso
caminho, e que quase sempre não somos nós que iremos colher.
Fazer saúde precisa ser uma relação de troca. Se não consigo
refletir, crescer, aprender e expandir com os passos que meu
cliente dá, não acontece a troca que deve ser expansiva para
ambos. Tratamento eficaz é sempre uma estrada de
via dupla.
A escuta é uma arte. É preciso escutar o outro imparcialmente,
e ajudar para que seus aspectos saudáveis
se expressem. É nisto que preciso me centrar quando escuto
histórias sofridas de cada ser que me chega como cliente,
para que o trabalho se realize. Se ofereço resistência ao
que escuto, julgando com espanto, repulsa ou indignação, impeço
que a relação de ajuda aconteça. Se há julgamento, há estagnação.
O amor nunca adoece, é ele que move, descristaliza,
faz circular, contagiar, expandir e irradiar. O egoísmo restringe,
contrai, tensiona e enlouquece. Saúde é sair de si para ir
ao encontro do outro.
São quase duas décadas escutando histórias de vidas, lições,
experiências. Devo grande parte dos meus sucessos pessoais,
e da minha Saúde Mental ao aprendizado que me propicia o dia-a-dia
do meu trabalho.
O Universo é pleno de tudo, só precisamos saber o que necessitamos,
e ir em busca. Há pessoas que apenas esperam. Portanto, vivem
famintas. Há aqueles que buscam alimento, porém não sabem
escolher ou discernir entre o alimento e o veneno. Vivem intoxicados
e doentes pelo hábito de ingerirem o que não lhes nutre. Há
outros, que sabem o que precisam, distinguem o joio do trigo,
são persistentes em seus intentos, e aprendem de fato a se
nutrir.
Porém, há ainda aqueles que se apegam aos venenos que ingerem
e pensam que são nutritivos. Presos que estão à culpa, não
se sentem no direito do alimento verdadeiro. Estes
são os que costumo chamar de dependentes do sofrimento, amantes
da dor, pois imaginam que esta é a única maneira de sentirem
emoções, de se sentirem de fato vivos, de serem “salvos”.
Todo ser humano tem facilidades e dificuldades, precisamos
aceitar ambas. O caminho da iluminação é a arte de lidar todo
o tempo com esses dois aspectos de nós mesmos.
Os afetos específicos também alimentam o homem, e o impelem
para frente. Um amor verdadeiro de um ser para o outro, o
amor a uma ideologia, a uma causa tornam rica a vida. Porém,
precisamos estar atentos para outras formas de expressão amorosa
e para a importância de nos colocarmos inseridos num contexto
coletivo.
Trazemos em nós o resultado do aprendizado de muitas experiências,
nesta, e em outras existências. Isso é parte de minha crença,
logo permeia tudo o que faço.
A vida é um processo, um constante vir a ser. Já trilhamos
bem mais do que acreditamos, mas sempre há mais a percorrer.
É preciso lembrar que não é só o andar de um indivíduo, ou
de um grupo, é um caminhar coletivo de toda a humanidade.
Cada profissional, envolvido de corpo e alma em promover Saúde,
dá no seu passo, na sua arte e na sua ciência, a sua contribuição.
Márcia Aguiar é psiquiatra clínica (UFBA-1984), foi Vice-diretora
do Hospital Psiquiátrico Juliano Moreira, e Diretora clínica
do Sanatório Bahia. Desde 1997 é Diretora clínica do ICEP,
“Instituto Nise da Silveira”. É médica homeopata e psicoterapeuta
transpessoal.
|
|