Cura Psiquiátrica:
Uma abordagem Oniro-Toxicológica
A Neuropsiquiatria, a Física Quântica e a Cura

Por Ricardo Chequer Chemas, M.D., FRSM

Há cerca de cinco anos atrás, num início de tarde tropical que prometia ser igual a tantas outras, solicitei à minha secretária que fizesse entrar o primeiro paciente do período. O homem que se sentou à minha frente estava visivelmente ansioso, ou melhor, indisfarçavelmente irritado. Havia esperado demais, disse ele com enfado e uma certa indignação latina, pois não estava ali porque quisera estar, mas sim por causa de sua mulher e de sua mãe, que insistiram muito para que ele estivesse com o Dr. Chemas.

A sua história clínica era, como eu viria logo a saber, a um só tempo comum e terrível: Há um ano atrás, após meses de atormentadoras dores de cabeça e não menos atormentadores exames complicados (Ressonância Magnética Nuclear, Tomografia Computadorizada do Crânio, Angiografia Cerebral, etc), Carlos Roberto, que é formado (com louvor) em Física Avançada, soube de forma lacônica que possuía uma estranha criatura, chamada Meningeoma Cerebral, crescendo dentro da sua cabeça.

O estranho tumor, em forma de um horrendo polvo pálido, já se fazia sentir de maneira mais palpável e concreta do que simples (embora lancinantes) dores de cabeça: Carlos Roberto começara a perder a visão no olho esquerdo.

A decisão quanto à solução cirúrgica foi rápida e quase impensada, pois o que importava mesmo era que “aquilo” fosse arrancado dali o mais rapidamente possível, e a qualquer custo. Só que este último iria ficar muito caro. Após a delicada intervenção, Carlos Roberto encontrou-se também privado da visão no olho esquerdo, agora em caráter definitivo.

“Bem”, pensou de forma compensadora, “pelo menos fiquei livre daquele maldito tumor”. Não ficara. Seis meses após a traumática experiência da neurocirurgia, os sintomas (e “... aquele maldito tumor”) haviam voltado. Recidiva. A asquerosa criatura em forma de polvo media já por volta do tamanho de uma pequena laranja. O colega que o operara da primeira vez sugeriu faze-lo novamente. Então, Carlos Roberto desapareceu. Não desejava arriscar-se à possibilidade hedionda da perda definitiva do outro (e último) olho. Decididamente, não o faria.

Foi então que sua mãe e sua esposa lhe falaram do misterioso médico que atendia na própria biblioteca, em meio a antigos e poeirentos tratados de medicina greco-egípcia, escritos em hierático, e que perguntava aos pacientes coisas estranhas, tais como com o que sonhavam, e, caso lembrassem dos sonhos, se sonhavam estando em perigo de cair em abismos atrozes e insondáveis, com fogo ou escutando música, com fantasmas ou inundações, etc., etc. Se a resposta fosse afirmativa, murmurava-se à boca pequena que o Dr. Chemas então passava a administrar a estes mesmos pacientes medicamentos preparados a partir de substâncias químicas puras, as quais eram retiradas de uma enorme caixa aonde se encontravam representados, de forma concreta, praticamente todos os elementos químicos que constituem a Tabela Periódica. Pior: o excêntrico doutor ainda correlacionava temas sonhados com substâncias químicas puras!

Carlos Roberto a princípio pensou que os seus familiares haviam ficado semi-enlouquecidos pelo trauma da sua súbita tragédia neurológica, e estavam então a buscar medidas desesperadas para tentar livrá-lo de uma repetição do suplício pelo qual mal havia ainda acabado de passar.

Algum tempo depois, já que não havia outra escolha à vista, e até mesmo para acalmar um pouco o visível pânico que havia tomado conta da sua família, Carlos Roberto se deixou conduzir até o meu consultório.

Aí estava ele, então, suando e resfolegando, à minha frente.

- "Afinal, com o que o senhor sonha, Sr. Carlos Roberto?” Eu havia feito a tão aguardada pergunta.

- "Pescarias, Doutor”, respondeu Carlos Roberto, um tanto acanhado; “peixes e pescarias”.

Cofiei longamente a barba já grisalha, cuidadosamente fitando os meus registros de Toxicologia. Em finais do século XIX, na sua monumental obra (em vinte e cinco volumes!) Encyclopedia of Pure Materia Medica, o Dr. Timothy Allen já havia compilado dados experimentais que comprovavam, efetivamente, o fato de que sujeitos intoxicados acidental ou experimentalmente com sais de prata, ou mesmo com a prata metálica em estado coloidal, sonhavam repetidamente com peixes ou pescarias.

Eu conhecia também a natural afinidade da prata e dos seus sais pelos tecidos e células do sistema nervoso, ou por células ricas em neurotransmissores. Ainda na faculdade, na cadeira básica de Histologia, nos utilizávamos destas mesmas propriedades dos sais de prata para corarmos as lâminas preparadas com finíssimos cortes de tecidos nervosos, tais como cérebro, medula, nervos e gânglios.

Rapidamente percebi que o organismo humano de Carlos Roberto, em sua totalidade, das células do seu meningeoma aos seus sonhos, que em verdade traduzem a sua secreta atividade mais íntima, o “programa” básico da criatura complexa feita de água e carbono a que chamamos Carlos Roberto, vibrava em ressonância homeomórfica com o espectro eletromagnético de emissão do átomo da prata. Na minha cabeça se misturaram, em inorgânica e vertiginosa sucessão, imagens de um ágil cardume de peixes prateados perseguidos por um octópode monstruoso.

Assim, percebi também que a administração de pequenas quantidades de prata a Carlos Roberto poderia ser a chave para sua cura, uma forma de estimular o sistema imunológico equivocado daquele paciente a reagir, a reconhecer afinal aquela abjeta criatura em forma de polvo dentro de si, o meningeoma, como um corpo indesejável, um erro de padrão, um autômato finito que se tornou estável por um equívoco na programação da metacreatura plural , da colônia pluricelular chamada Carlos Roberto

Em algum ponto da fronteira imprecisa entre o mundo físico e o simbólico de Carlos Roberto, a prata, por um mecanismo desconhecido, se faz peixe sonhado. Da mesma forma, o peixe sonhado e o horrendo tumor nada mais são do que faces distintas da mesma moeda. Como isto se dá? De que maneira um padrão de desordem celular dentro de um especimen aterrorizado de Homo sapiens se encontra relacionado com os quanta de energia no átomo do elemento químico de número atômico 47, a prata?

Simplesmente, ainda não o sabemos. No entanto, e a despeito do imenso tamanho da nossa ignorância científica atual com relação a este curioso fenômeno das correlações homeomórficas entre séries afastadas de objetos do mundo, seis meses após a administração oral de alguns femtogramas de prata a Carlos Roberto, o seu tumor reicidivante havia desaparecido sem deixar rastros, conforme constatado inequivocamente através de uma nova Ressonância Magnética Nuclear

Dr. Ricardo Chemas é Fellow da Royal Society of Medicine of the United Kingdon. Esta honra de ser membro da Real Sociedade de Medicina do Reino Unido da Grã Bretanha só é concedida a pouquíssimos cientistas do mundo. Membro também da New York Academy of Sciences (USA) e da British Association for the Advancement of Science, Dr. Chemas é um dos médicos e cientistas baianos mais laureados e reconhecidos internacionalmente. Aqui nos revela um caso clínico encantador.


"Minha Experiência com Astrologia Kármica"

por Gicele Alakija

Uma das perguntas que mais me fazem quando falo sobre o meu trabalho com Astrologia Kármica é se esta abordagem não cria nas pessoas uma acomodação e um eterno justificar de atitudes em função do famoso karma, como se estivéssemos irremediavelmente presos a ele...Eu respondo que não. Nesta linha de trabalho a pessoa é estimulada a ser mais responsável pelo seu próprio "destino" a partir de uma maior consciência de que está colhendo agora tudo aquilo o que plantou no passado, tendo, participação ativa em tudo o que lhe acontece. Ela pode fazer suas escolhas dentro de um propósito maior de vida, escolhido antes de reencarnar, e que precisa ser lembrado para a pessoa entender sua liberdade e responsabilidade de escolha. De fato "atraímos" as experiências que precisamos para a nossa evolução espiritual. Elas são nosso merecimento. Sei que não é confortável pensar assim quando estamos no meio de uma crise tentando evitar por todos os lados a dor da mudança.

Em 1987 eu ministrava cursos na PUC/SP. Faltava pouco para concluir minha tese de Doutorado na USP quando me vi no meio de uma tremenda crise pessoal e profissional em que eu questionava tudo. Não entendia o que estava acontecendo nem sabia se queria mudar ou o que fazer para mudar. E respeitando todos os trâmites legais, rompi com tudo o que eu fazia na época... Eu estudava Astrologia desde 83 por curiosidade - só depois eu entendi por que – retomei meus apontamentos e debrucei-me freneticamente sobre o meu próprio mapa astrológico na esperança de encontrar alguma luz esclarecedora. Feliz da vida com as descobertas, passei algum tempo estudando sozinha.

Atraí, assim, quase que imediatamente, pessoas que buscavam o autoconhecimento através da Astrologia e que procuraram a minha orientação naquele momento porque eu estudava e pesquisava! Quando dei por mim, estava atendendo profissionalmente de corpo e alma como astróloga e com uma familiaridade muito grande com o tema. Mais tarde, atraída para o Instituto Delphos, onde se ministrava um curso superior de Astrologia, senti-me inteiramente identificada com a abordagem do karma (lei de causa e efeito segundo a qual se colhe o que planta). Era como se eu conhecesse o assunto intensa e extensamente. Definitivamente tornei-me astróloga, integrando no meu trabalho todo o meu saber de psicóloga, professora universitária e pesquisadora, começando naquele momento mais do que uma nova carreira, uma etapa de vida que reconheço como de grande importância para toda a minha postura pessoal e profissional hoje.

Mas, afinal, o que é essa Astrologia kármica que tanto me fascinou? A consciência da existência de vidas passadas e reencarnação. E isto significa aceitar a lei segundo a qual o espírito se manifesta periodicamente no mundo físico para aprender lições espirituais, como: fé, justiça, verdade, amor, paciência, equilíbrio, como preparação para etapas mais evoluídas do ser. Nesta perspectiva, o mapa astrológico de nascimento, a “fotografia do céu" naquele exato momento, pode ser entendida como a bagagem que a pessoa traz de vidas passadas, ou seja, seu karma. Por isso a data, a cidade e o horário desse nascimento são fundamentais para a elaboração do mapa, e a hora correta corresponde ao momento da primeira respiração do indivíduo, independente do parto ter sido normal ou por cesariana. Dentro desta concepção, ninguém nasce num momento por acaso; todos temos uma missão, um propósito maior para desenvolver em cada encarnação. É, portanto, uma escolha anterior ao nascimento que se dá em função do que fizemos no passado e do que precisamos aperfeiçoar.

A configuração dos planetas no mapa astrológico de nascimento, representando a foto do céu, vai mostrar a escolha deste caminho. E a alma chega exatamente naquele céu... Então o mapa todo é kármico porque indica padrões de comportamentos do indivíduo, na sua maioria trazidos de vidas anteriores, que vão se manifestar como oportunidade de revisão do que não foi bem desenvolvido no passado, bem como podem permitir uma continuidade de atividades bem sucedidas, que aparecem como talentos e habilidades na vida atual.

O mapa astrológico sobre o qual me debrucei um dia em busca de luz para o meu caminho não é uma adivinhação nem prescreve receitas de sucesso; ao contrário, ele é descritivo de uma situação que nasce junto com a pessoa e tem a função de ajudá-la a entender seus karmas e o sentido principal de sua vida atual. Costumo comparar o mapa de nascimento a um livro de vida que vem junto com a pessoa, contendo e contando sua história com início, meio e fim.

No decorrer da vida percebe-se o quanto alguns capítulos podem ser rescritos enquanto outros capítulos devem permanecer intocáveis por trazerem lições importantes que não podem se modificar. O benefício maior do aconselhamento astrológico na perspectiva kármica é a possibilidade de a pessoa encarar as situações repetitivas difíceis como fazendo parte de um padrão de vidas passadas e procurar nova forma de lidar com este padrão no presente, compreendendo-o no passado.

Quando analisamos o mapa astrológico a partir da perspectiva do karma da pessoa (individual, familiar ou coletivo) muitas destas questões começam a fazer sentido e se encaixam como peças de um quebra-cabeça na sua vida presente. Há mapas que indicam questões kármicas na área de família, por exemplo, uma dívida de responsabilidade para com uma mãe que gera na pessoa um comportamento de responsabilidade com ela, desde muito cedo na vida. Em outros casos, pessoas que têm medo ou dificuldade de dirigir, de começar algo novo ou de tomar decisões importantes na vida, costumam revelar no mapa padrões que levam à indicação do quanto foram autoritárias numa encarnação anterior e provavelmente até punidas por isto, na época. Hoje, se recolhem, se escondem, protelam sua capacidade de dirigir, de decidir, e talvez precisem mesmo desenvolver mais ponderação e compromisso com estes assuntos.

Mas enquanto não resolvem, sentem-se com o "freio puxado". Há também mapas que revelam o medo da pessoa mostrar certas habilidades por não confiarem nelas mesmas, provavelmente pelo uso inadequado destes talentos no passado. Às vezes a lição é aprender a ser mais humilde ou a desenvolver novas habilidades...Em outras situações, a pessoa está sempre envolvida com problemas coletivos em que ela tem uma função clara de ajudar, apoiar, salvar...

Existe, portanto, uma relação entre determinadas posições planetárias e prováveis tipos de karma. E é claro que no processo de aperfeiçoamento espiritual temos débitos e créditos de outras encarnações a serem balanceados na nossa vida atual. Potencialmente, estamos a todo o instante criando novos karmas e tentando resolver os antigos. Na minha experiência, a simples compreensão das questões kármicas ajuda a pessoa a buscar transformar o padrão inadequado. Quase sempre é necessário um trabalho terapêutico para ajudar nesta mudança. O signo de nascimento que escolhemos nascer revela apenas uma parte do que viemos aprender; é o mapa como um todo que nos dá a indicação das questões principais trazidas para serem trabalhadas, bem como o principal propósito da alma nesta encarnação...

A partir da minha trajetória pessoal, acadêmica e profissional tenho percebido, comigo e com meus clientes, que com a aceitação da continuidade da existência fica mais fácil compreender as coisas que nos acontecem, mesmo aquelas que de início parecem incompreensivelmente dolorosas e para as quais ainda não encontramos uma explicação objetiva.

Gisele Alakija é psicóloga pela UFBa (1974). Mestre em Psicologia pela USP (1982) com a tese “Uma caracterização preliminar do relacionamento afetivo no casamento”. Chegou até a qualificação de sua tese doutoral na USP tendo como tema de tese de seu trabalho como coordenadora da Creche da Pontifícia Universidade Católica “A socialização da criança na creche”. Astróloga desde 1987, com aperfeiçoamento no Instituto Delphos – SP (1991). É formada em Terapia Regressiva Integral pelo Woolger Training International (1999). Seu artigo traz uma clara luz sobre este tema.


Meditar para Transcender

A mudança, a evolução e o crescimento são consubstanciais à Vida. A meditação é a melhor ajuda. O Lama Padma Santem nos ensina o quanto ela é simples e prazerosa.

Quando as coisas e os homens perdem sua simplicidade original, encontramos algumas existências tranqüilas, pessoas cujo semblante iluminado reflete a luz interior daqueles que chegaram a Paz. São os que vivem uma vida naturalmente vitoriosa, e, portanto, possuem uma notável habilidade de motivar e orientar suas vidas e a dos outros por valores espirituais e universais. Essas características da profunda sabedoria existem, sem dúvida, na fisionomia do Lama Padma Santem. Doutor em Física Quântica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, ele é o primeiro brasileiro a ser ordenado Lama na linhagem Ningma, do Budismo Tibetano, pelo venerado Mestre S.E. Chagdu Tulku Rimpoche. Lama Santem dedica à paz mundial todo seu tempo e sua energia.

A sua presença amorosa e sua mente brilhante são marcadas pela sonoridade de suas idéias expressas em frases claras, ditas em uma voz branda e suave, quando nos ensina a resgatar o respeito por todos os seres humanos, realçando a bondade intrínseca inerente ao coração de todos os homens. Ele falou para Revista Omega sobre Meditação. Porque meditar? Para quê? Qual a importância da Meditação?

A dificuldade de viver na impermanência de um mundo que avança aparentemente sem rumo deixa o homem com a mente intranqüila, cheia de frustrações e insatisfações e o impede de ter a serenidade necessária para o essencial: o conhecimento de si mesmo.

A Meditação que "deveria ser constante em nossa vida, e não um remédio", motiva o ser a criar um tempo, todos os dias, para receber a luz que precisa para viver. Ele citou o trecho da Bíblia em que o Mestre diz: "A casa de meu Pai tem muitas moradas". A meditação é uma das melhores formas de visitá-las. E acrescenta: "não importa a forma como a meditação é conduzida, nem os resultados que pretenda alcançar ou a velocidade  com que sejam obtidos. Todas funcionam como remédio, e não devem ser usadas para sempre e sim, até atingir a nossa libertação". E continua: "Quando começamos a entender a profundamente através da meditação o que temos no Inconsciente - que é a nossa prisão intrínseca - percebe-se o quanto somos encadeados aos processos internos. A nossa mente tem vastas regiões inconscientes, e delas brotam sentimentos, impulsos e as reações dos nossos sentidos físicos. Precisamos conhecê-las para termos o domínio da nossa própria vida e avaliar melhor a perda de liberdade da nossa situação Real".

Mas qual é essa situação Real? " A percepção da realidade de forma direta - esclarece Padma - é perturbada pelas marcas de identidades que criamos para nós mesmos, pelos processos de rigidez, de violência e defesa, de atividades incessantes que operam em nós, contribuindo para que a estrutura de todas as nossas ações seja distorcida por esses aspectos".

Vê-se claramente que o objetivo maior da meditação, além de permitir-nos enxergar a complexidade de nossas ações de forma realista, é reconhecer nossa face verdadeira, única. É essa face verdadeira, alvo da meditação, a construtora de identidades desconhecidas que insistem em existir de forma disfarçada e provocam nossas crises de sofrimento. meditar é libertar-nos da sensação de prisão a que nos submetem as marcas dessas imagens fantasmagóricas, que determinam o rumo de nossa caminhada.

"Podemos olhar a Lua através de poças d' água", compara o Lama... "A nossa prisão está no fato de só conseguirmos olhar as pessoas e as circunstâncias (as nossas Luas) através das poças d' água, quando o objetivo é olhá-las de forma direta. Não é o objetivo místico de olhar a Lua na sua aparência perfeita, nem o objetivo comum de esquecer a lua e concentrar-me somente nas poças, mas é movimentar-se em meio às circunstâncias com as aparências e identidades como devem ser, e movimentar-se em meio às circunstâncias com plena Liberdade.

Liberdade?..."é libertar-se de si mesmo", explica. Romper as barreiras que nos separam uns dos outros é "um processo de comunicação indispensável como forma poderosa de meditação". " Isso é lucidez e liberdade. Liberdade é cura", e continua, " quando a pessoa tem a experiência de sentir a Lua e sabe filtrar o que existe nas poças d' água, então tem liberdade".

Não é fácil, porém, fazer a mente rodopiante do homem ocidental parar e com a coluna ereta procurar tranqüilidade, porque a semente da intranqüilidade gerada no cotidiano se reflete no próprio ato da meditação. é difícil, mas imprescindível. " A meditação só é desnecessária para os que compreendem diretamente", recorda o Lama citando os ensinamentos de Longchempa - erudito e codificador da linhagem Ningmapa: "Para os que ainda não entendem: a meditação". 

A relevância da meditação está no fato de ela ser "um processo pelos quais vamos cruzar etapas para atingir a libertação completa"; existem diferentes métodos para cruzar essas etapas: o silêncio, o mantra, a compaixão, mas acima de tudo a transformação da prática de nossa vida cotidiana através da auto-observação constante".

Meditar é despertar, descobrir as nossas dificuldades e permitir que a nossa dimensão infinita de energia, amor e compaixão se manifeste; é transcender as identidades, fixações e construções da nossa mente para que o extraordinário e divino floresçam como lótus na lama da natureza humana ainda ignorante. "è em silêncio que os meditantes penetram nessa grande névoa de significados e chagam à natureza da Liberdade, à Totalidade do Ser".


Como está a Psicologia Transpessoal na Bahia, no Brasil e no Mundo?

por Ana Lúcia Dantas

Mario Rodriguez Risso (Montevidéu, 1949) viveu e estudou, desde os 18 anos nos EUA, Alemanha, França, Espanha e, desde 1983, em Salvador. Formou-se em Psicologia em 1979 pela Universidade Central de Barcelona. Estudou com vários dos grandes nomes da Psicologia Mundial. Psicanalista até 1987, abraçou a partir desta data a Psicologia Transpessoal, que ensina desde 1995. Foi docente de Psicologia das Faculdades de Educação e Turismo da Bahia.

Revista Omega - O que é a Psicologia Transpessoal?

Mário Rodriguez Risso - Para responder é preciso falar um pouco da história da Psicologia no séc. XX. Ela começou com o chamado Behaviorismo ou Condutismo; depois veio a Psicanálise, depois a Psicologia Humanista. A Psicologia Transpessoal (Psc. Trp.) fez a síntese de todas elas. Mas o notável é que acrescentou ao conhecimento da Consciência todo o saber sobre a alma humana acumulado no Oriente e Ocidente. Quer dizer, a fusão do conhecimento total do homem sobre si mesmo em todas as culturas da Humanidade.

Omega - Como foi o percurso para se chegar desde Freud - criador da Psicanálise no início do século passado - até a Psicologia Transpessoal no início deste novo milênio?

Mario - Freud com a “descoberta” do Inconsciente deu uma contribuição ímpar. Ela está particularmente bem expressa no seu livro publicado em maio de 1900 – “A Interpretação dos Sonhos”. Ele abriu o século com este grande clarão, mas afirmou depois: “Eu só me interesso pelo porão da alma humana” e escreveu em seu último livro “Moisés e o Monoteísmo”, publicado em Londres, em 1939, pouco antes de sua morte: “Toda religião é um delírio coletivo”. Isto é a antítese do que sentimos como verdadeiro neste momento da Humanidade. A palavra Religião (do latim re-ligare), afinal, significa a reconexão com a fonte da Consciência Universal que alguns chamam Grande Espírito, outros de Poder Superior, e outros simplesmente Deus. Este aspecto ateu de Freud naturalmente foi observado e criticado pelos seus discípulos mais brilhantes – Jung, Reich, Ferensczi - na Europa do seu tempo, e por todos os grandes expoentes da Psicologia Humanista que trabalharam no pós-guerra nos EUA, Abraham Maslow, Jacob Moreno, criador do Psicodrama; Fritz Perls, criador da Gestalt; Lowen, Keleman e Pierrakos, criadores da Bioenergética, entre muitos outros. Eles pararam de olhar só para o lado doente e patológico da psique humana e afirmaram que a criação artística em todas as suas vertentes: literárias, arquitetônicas, musicais, e em todas as Belas Artes, são uma demonstração patente de que o Divino também nos habita e que podemos torná-lo predominante com nosso próprio esforço pessoal. Neste último quarto de século, o trabalho dos pioneiros transpessoais em Psicologia das Religiões Comparadas nos mostrou claramente que, em essência, todas as grandes tradições concordam nos mesmos pontos, divindades e crenças, simplesmente dão a eles diferentes nomes.

Omega - Mas o panorama psicoterapêutico dos últimos 50 anos foi dominado claramente pela Psicanálise. Qual é a diferença básica na percepção da consciência entre a Psicanálise e a Psicologia Transpessoal?

Mario - A Psicanálise sempre teorizou e trabalhou com o Inconsciente individual, definindo todos os seres humanos em uma das três seguintes categorias: neuróticos, psicóticos e perversos. Esta não é uma terminologia construtiva da condição humana. A Psicologia Transpessoal reivindica a essência divina como a semente no âmago de todo ser humano. Para ela, todos nos encontramos no caminho da Consciência Plena, seja ela chamada de Iluminação ou Purificação ou Ascensão. Só isto já marca a diferença paradigmática mais notável. O homem não é um animal submetido só às paixões inconscientes de agressividade e sexualidade. É um Ser a meio caminho entre sua origem instintiva e seu destino divino.

Omega - Qual é a contribuição da Psicologia Transpessoal que a diferencia das outras?

Mario - Entre todas as outras, a Psicologia Transpessoal é a que possui a mais ampla e variada literatura sobre os diferentes estados da consciência, incluindo entre eles os estados alterados e expandidos da consciência. Ela é a que mais textos comenta e a que estuda os estados de Consciência Cósmica, a Morte e o Renascimento do ego, e todos os estados superiores à consciência ordinária. Em outras palavras, ela contata com os estados saudáveis e criativos do espírito humano, propiciando o equilíbrio corpo-mente e a sua interação com a dimensão transcedente do ser.

Omega - Sim, mas quais são os métodos terapêuticos que ela utiliza?

Mario - São inúmeros, e vão desde os vários tipos de Meditações ativas e passivas; Visualizações Criativas (que permitem ao paciente visualizar o que ele quer para sua vida); trabalho corporal (para reativar as memórias ancoradas no corpo); Imaginação Ativa com usos de símbolos, mitos e arquétipos; todas as técnicas regressivas; Sonho Catártico Diurno, Morte e Renascimento Psicológico do Ego; música evocativa e uma forma particular de respiração chamada holotrópica que, como seu nome indica, nos leva em direção à percepção da Totalidade. Estas são só as mais freqüentemente utilizadas. A Transpessoal incorporou a seu arsenal terapêutico as melhores técnicas da Psicologia Humanista, particularmente as da Gestalt, Bioenergética e Psicodrama.

Omega - Quem você considera o maior precursor da Psicologia Transpessoal?

Mario - Para mim, sem dúvida, o grande psiquiatra suíço Carl Gustav Jung. Ele foi o primeiro a romper com Freud; o primeiro a viajar intensa e extensamente pelo mundo e contatar com as principais culturas – Grécia, Egito, Índia, EUA, entre outras. Ele fez o Prólogo à primeira versão ocidental do I Ching chinês; comentou amplamente o “Livro Tibetano dos Mortos”; analisou extensamente os Sutras, de Patanjali. Ele se interessou e escreveu prolificamente sobre Alquimia, Astrologia, Numerologia, Quiromancia, Tarot, entre várias outras vias de acesso ao Inconsciente, na época chamadas místicas, mágicas, esotéricas e ocultas. Ele iniciou a Grande Síntese. É quase nosso contemporâneo. Fez a passagem em 1961, com 86 anos. No seu trabalho fecundo se inspiraram vários dos grandes psicólogos transpessoais.

Omega - Quem são, hoje, no mundo os maiores expoentes da Psicologia Transpessoal?

Mario - Muitos. Primeiro pelo merecimento de ter cunhado o termo Transpessoal em 1967, Stanislav Grof, que durante os últimos quarenta anos realizou um trabalho pioneiro com LSD e os estados expandidos da Consciência. Ken Wilber, sem nunca ter visto um paciente, portanto sem experiência clínica, teorizou em todos os seus brilhantes livros essa Grande Síntese entre Oriente e Ocidente. Stanley Kripner é o grande antropólogo transpessoal. Ninguém conhece as mais de 250 diferentes tribos indígenas do Brasil e seus ritos xamânicos melhor do que ele. Daniel Goleman, que foi professor de Psicologia Transpessoal em Harvard, é amplamente conhecido pelos seus livros “Inteligência Emocional” e “A Mente Meditativa”. Roger Woolger, já bem conhecido no Brasil, autor de “As Várias Vidas da Alma” e “A Deusa Interior”. Atualmente seu trabalho com Terapia Regressiva Integral é considerado a vanguarda em Regressão de Memória. Não vale a pena continuar citando nomes e sim constatar simplesmente um fato: mais de 50% de todas as teses doutorais em Psicologia realizadas na última década nos EUA são sobre temas transpessoais.

Omega - E no Brasil, quem são os nomes que se destacam?

Mario - Sem dúvida, esta lista se inicia com Pierre Weil, criador e idealizador da Universidade Holística “Cidade da Paz” da qual é reitor. Ele organizou o IV Congresso Internacional de Transpessoal no Brasil, em Belo Horizonte, em 1978 quando foi criada a I.T.A. (International Transpersonal Association). O vice-reitor da UNIPAZ, Roberto Crema, e Vera Saldanha, presidente da Associação Luso-Brasileira de Psicologia Transpessoal, ocupam lugares de destaque. A baiana Aídda Pustinik e a argentina, paulista por adoção, Theda Basso, merecem uma menção especial.por terem introduzido no Brasil a “Dinâmica Energética do Psiquismo” assim como a metodologia Pathwork.

Omega - Quem se destaca na Bahia no trabalho Transpessoal?

Mario - É sempre injusto citar alguns nomes e omitir outros, mas, sem dúvida, na Bahia, além de Aídda e Theda, Eunice Rodrigues e o seu trabalho em Biosíntese; Lika Queiroz com o seu trabalho de fusão da Gestalt com o Transpessoal; Gisele Alakija e o seu trabalho de Astrologia Kármica; Miklos Burger e Ana Liése Leal que no “Instituto Transpessoal” aplicam essas técnicas. Connie Dittmar e o seu trabalho de “Dolphinbreath”. Ruth Brasil que junto com Daise Wolf têm um dos currículos mais completos em Terapia Regressiva; e Eunice Tabacof que está fazendo a ponte entre a Psicanálise e a Psicologia Transpessoal. Carlos Alberto Leandro com seu trabalho sistêmico com dependentes químicos e seus familiares. Os doutores em Medicina, Carlos São Paulo, do Instituto Jungiano, e André Luís Peixinho, do Instituto Holon, que ministram cursos de Transpessoal através da Fundação Para Desenvolvimento das Ciências, e todos os membros do Conselho do Pathwork da Bahia são os que, sem dúvida, precisam ser mencionadas para ficar só nesses, entre inúmeros outros.

Omega - Em que medida o “Pathwork”, o “Curso em Milagres”, “O Jogo da Transformação” e outras técnicas afins têm contribuído para o desenvolvimento da Psicologia Transpessoal?

Mario - Muito. Elas são Psicologia Transpessoal na sua mais pura essência, porque ambas provêm de fontes de Inteligências Superiores, tanto o Curso em Milagres como as 257 palestras do Pathwork são em si mesmos cursos completos de Psicologia Transpessoal.

Omega - O que você compreende por Inteligências Superiores?

Mario - Os Mestres ascensionados. Aqueles que já completaram a sua caminhada na Terra e se manifestam nas oitavas etéricas superiores da Consciência. Nós os conhecemos como a Hierarquia da Grande Fraternidade Branca. Para citar alguns deles, Mestre Jesus, Gautama Buda, o Senhor Maitreya, Mestre El Morya, Saint Germain, Sanat Kumara, dentre inúmeros outros.

Omega - A que você atribui as grandes honras internacionais que um escritor com textos tão claramente transpessoais, como Paulo Coelho, está recebendo?

Mario - Isso nos mostra um claro processo de re-espiritualização do Ocidente. O fato de A Grande Cruz da Honra da França, máxima condecoração deste país, ter sido dada a Paulo Coelho pelo próprio presidente Chirac, por ter vendido só na França mais de cinco milhões de exemplares de seus livros e 35 milhões no mundo todo, revela a sede ocidental por resgatar as verdades do que Aldous Huxley chamou: Filosofia Perene.

Omega - De fato, há trinta anos os temas transpessoais eram tratados como místicos, mágicos e esotéricos. Hoje são discutidos em teses doutorais das grandes universidades do mundo. O que ocorreu?

Mario - Primeiro houve um avanço científico e tecnológico exponencial, e grande parte do que se descobriu em Física, Biologia, e Psicologia confirma plenamente as teses deste novo paradigma da Ciência. Isto quer dizer que o Universo todo é um ser vivo em expansão, infinitamente interligado em múltiplas dimensões espaço-temporais. Isto na ciência quântica, holística e sistêmica confirma as teses da Psicologia Transpessoal. Segundo ponto: estudou-se muito nesses últimos trinta anos a mitologia comparada dos diversos povos de toda a Terra. Os antropólogos comprovaram que todas as culturas da Terra, especialmente as que se tornaram berço de grandes tradições de Conhecimento, possuem mitos semelhantes da Criação da Vida. Todos eles compartem crenças comuns. Tomemos como exemplo a Trindade do Cristianismo: Pai, Filho e Espírito Santo. Ela se repete na sabedoria faraônica do Egito, como Osiris, Isis e Horus, ela se repete no Hinduísmo, como Brahma, O Criador; Shiva, O Preservador; e Vishnu, O Destruidor. Vemos esta Trindade se repetindo em todas as grandes culturas. Isso nos leva a inferir que a Verdade deve ser por aí e investigar esse caminho. A meditação oriental versus a ciência e tecnologia ocidentais, Buda e a bomba, a intuição e a razão formam parte deste encontro Oriente e Ocidente. A ciência ocidental deste fim de século conseguiu o feito ímpar de demonstrar cientificamente o que os mestres, sábios e iluminados, de todas as grandes tradições de conhecimento da Humanidade sempre souberam.

Omega - Esse encontro entre Oriente e Ocidente que está acontecendo na Terra seria, então, o equivalente à síntese que está se processando em nossas mentes entre o hemisfério Yang, masculino, racional e o hemisfério Yin, feminino, intuitivo?

Mario - É isso mesmo. Como a parte está contida no Todo e o Todo está contido na parte, e esta é a essência do paradigma holístico ou holográfico, nós estamos processando a nível individual o que o ser maior, a Terra, também está processando a nível Solar.

Omega - Explique melhor isso de a Terra estar processando a nível Solar como exemplo do paradigma holístico.

Mario - Holístico vem do grego Holos, que quer dizer Totalidade. Não é mais possível que os médicos cuidem só do corpo físico, que os psicólogos cuidem só da mente, que os bioenergetistas se concentrem na expressão das emoções e que os padres e ou religiosos cuidem do espírito. É imprescindível compreender o ser humano neste quaternário físico, emocional, mental e espiritual e propor estratégias de cura que levem em conta esta Totalidade interdependente. Isto quer dizer holístico. E os terapeutas precisam tornar-se holísticos. Nós seres humanos somos as células inteligentes, os neurônios de um ser vivo chamado pelos gregos Gaia, nossa Terra, que tem inúmeras outras células animais, vegetais e minerais. Gaia, por sua vez, forma parte de um sistema maior, chamado Solar, que forma parte de outro maior chamado Via Láctea, que forma parte de outro maior chamado Cosmos, que etimologicamente quer dizer Ordem, em contraposição a Kaos, que também em grego quer dizer Desordem. Vivemos num universo inteligente e de um grau de organização tão perfeita que está além da nossa compreensão humana ou das nossas palavras poderem descrevê-la.

Omega - Por que a compreensão da natureza transpessoal da consciência desafia tanto as bases fundamentais de nossa sociedade?

Mario - Porque boa parte de nossa sociedade ocidental, na sua forma de pensar, ainda está ancorada no velho paradigma científico, newtoniano-cartesiano, que só percebe e registra aquilo que pode ver e medir. A física quântica nos demonstra e o cinema o tem expressado muito nos últimos tempos com filmes como “Matrix”, “O Sexto Sentido”, “Joana d’Arc” e “À Espera do Milagre” entre muitos outros, que vivemos interpenetrados por múltiplas realidades que normalmente não percebemos. Isto abala os alicerces de nosso pensamento ocidental, e, portanto, revoluciona, como está revolucionando rapidamente toda a estrutura da nossa sociedade global.


Budismo Tibetano

por Ana Liése Leal

A palavra “BUDDHA” significa Desperto, Iluminado. Um Buda é um ser que despertou do sono da ignorância e ilusão e por isso venceu o sofrimento.

Ser “Buda” é possuir um estado mental incomum aos seres humanos, livre dos chamados “venenos da mente”. Estado incomum porque raro, mas absolutamente natural. Isso mesmo, o estado búdico é algo inerente ao ser humano, que ordinariamente não o manifesta porque se deixou iludir pela “teia de Maya” como diriam os hinduístas, referindo-se ao auto-engano em que incorremos quando nos sentimos identificados com a personalidade que representamos nesta vida e perdemos de vista o Atman existente em nós. O ser iludido por “Maya”, completamente envolvido no ciclo de nascimentos, mortes e renascimentos de personalidades ou fenômenos, chamado no Budismo de “Roda de Samsara”, deverá percorrer um caminho de disciplina e aprendizado para desfazer-se do auto-engano que o leva ao sofrimento constante. Uma vez que esse caminho seja percorrido, a natureza diamantina da sua mente brilhará num estado pleno de Bem-Aventurança, que beneficiará não apenas ao caminhante vitorioso mas também a uma enorme quantidade de seres.

Quando normalmente dizemos “Buda”, ou nos referimos ao Buda, geralmente pensamos num determinado homem que alcançou a iluminação há aproximadamente 600 a.C., a quem também conhecemos por Sidartha Gautama, ou Buda Sakyamuni. Aquele homem nasceu no seio da família Sakya, filho do rei Suddodhana e da rainha Mayadevi, exatamente no ano 624 a.C., na cidade de Lumbini, ao norte da Índia, onde é hoje o Nepal.

O estudo da biografia do Buda mostra-se muito rico em significado, trazendo “ïnsights” profundos a quem se dedique a examinar o caminho por ele trilhado como uma analogia ao próprio desenvolvimento espiritual. Vale a pena fazê-lo, aqueles que querem aprofundar-se no assunto, pois a vastidão do Dharma do Buda, dos seus ensinamentos, é de tal modo oniabarcante que é percebido no exame mesmo dos pequenos e grandes fatos que compõem a sua biografia. Após renunciar ao palácio em que morava e ao seu conforto e prazeres, e passar algum tempo no modo de vida de rigores ascéticos, o Buda realizou a culminância da sua trajetória com a ILUMINAÇÃO - diz-se que aos 35 anos, sentado sob uma figueira (“ficus indica”), à margem do rio Neranjara, em Gaya, na Índia, durante a lua cheia do mês de maio, ou do signo Touro, tais como ocorreram seu nascimento e sua morte.

Conta-se que o Buda Sakyamuni faleceu aos 80 anos, em Kusinara, após ensinar durante 45 anos a todas as classes de homens e mulheres, de reis e brâmanes (sacerdotes), a párias, mendigos e bandidos, sem fazer distinção entre eles como seres capazes e mesmo destinados a escaparem do Samsara e a atingirem o estado de Iluminação. Seu sistema moral e filosófico, que veio a tornar-se também religioso, é chamado de DHARMA e ficou conhecido em todo o mundo como BUDISMO.

Destinado a difundir-se em todas as direções do planeta, onde quer que existam pessoas que sofram, o Budismo seguiu com os discípulos do Buda e cresceu em diversas regiões, àquela época sobretudo na Ásia, adquirindo por vezes diferentes aspectos na sua apresentação de acordo com hábitos e costumes de cada povo e lugar, mas sem distanciar-se da essência da sua verdade.

Após a morte do Buda, em razão de divergências na interpretação dos seus ensinamentos, surgiram duas correntes representadas pelas Escolas Theravada (ou Hinayana) e Mahayana. A Escola Therevada difundiu-se a partir de 300 a.C. no Ceilão, Birmânia, Tailândia, Camboja, Laos e Paquistão. A Escola Mahayana desenvolveu-se ao norte da Índia, Tibete e Mongólia, e só bem mais tarde, no século V , na China, Coréia e Japão. O Budismo que chegou ä China ficou conhecido como “Ch’ an”, por volta de 520 d.C., e o que chegou ao Japão, como “Zen”, por volta de l200 d.C.


Curso Avançado de Psicologia e Psicoterapia Transpessoal

O Instituto Omega realiza a partir do fim de semana 27 e 28 de maio o primeiro módulo do Curso Avançado Profissionalizante de Psicologia e Psicoterapia Transpessoal que contará em cada encontro com os maiores e mais variados expoentes da Psicologia Transpessoal da Bahia. Este curso de duração de dois anos e meio será coordenado pelo Dr. Mário Rodriguez e a equipe do Grupo Omega. A seguir Mário esclarece os pontos mais relevantes do curso.

Revista Omega - Por que você se propõe a dar este curso?

Mario Rodriguez Risso - Porque ele é muito necessário na Bahia. Os médicos recebem na Faculdade pouca formação psicológica, e os psicólogos uma formação predominantemente psicanalítica. A Psicologia Transpessoal está se tornando vertiginosamente predominante no mundo inteiro; portanto é preciso formar profissionais nos seus métodos terapêuticos.

Omega - Qual o perfil do candidato a este curso?

Mario - Psicólogos, médicos, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais, terapeutas corporais e todos aqueles que, em uma entrevista prévia, demonstrem a qualificação necessária e a vontade clara de clinicar.

Omega - Então você admite que pessoas com outras formações acadêmicas ou até sem formação superior possam participar desses cursos?

Mario - Sim, a experiência no mundo tem demonstrado fartamente que os melhores terapeutas não são os doutores. Os melhores terapeutas são aqueles que nasceram com esse talento. A estes que já chegaram claramente com esse talento é preciso dar as ferramentas técnicas necessárias.

Omega - Você considera que pode se transformar um leigo em terapeuta em dois anos e meio?

Mario - Primeiro: não vamos aceitar leigos no curso e sim pessoas que já tenham uma certa caminhada terapêutica. Segundo: eu repito que se a pessoa tem o dom, o talento, ela só precisa ver qual das técnicas da psicoterapia transpessoal se afina melhor com ela, e aprofundá-la. É essa a razão de convocarmos docentes em técnicas transpessoais das mais variadas, para que o aluno tenha as mais amplas possibilidades de escolha.

Omega - E quanto à prática imprescindível para se exercer como terapeuta holístico, como se adquire?

Mario - Os formandos terão estágios supervisionados pelos coordenadores do curso e o mínimo de horas de estudo e supervisão, para serem incluídos na lista de terapeutas recomendados pelo Omega.

Omega - Qual é o grau de aproveitamento necessário para se obter o título de terapeuta holístico e transpessoal em julho de 2002?

Mario - O curso além desse encontro em regime residencial no último fim de semana de cada mês, terá um encontro quinzenal de três horas com os coordenadores do grupo. O aproveitamento mínimo para se obter um certificado é de 70% das atividades totais do curso.

Omega - Que validade tem o título que o Omega oferece ao terapeuta formado?

Mario - Hoje, sem dúvida, poder inscrever-se no Conselho Federal dos Terapeutas Holísticos e filiar-se ao Sindicato Federal dos Terapeutas Holísticos reconhecido pelo Ministério do Trabalho. O Omega, como ONG, tem como um de seus objetivos a criação de uma Faculdade de Estudos Holísticos e Transpessoais reconhecida pelo MEC.

Omega - Qual é o investimento desta formação transpessoal?

Mario - Este ano, duzentos e cinqüenta reais por cada mês de trabalho, o que inclui alimentação e hospedagem no fim de semana e o encontro quinzenal de revisão. Nos próximos anos pode haver um reajuste condizente com a nossa velha inimiga, a inflação.

Omega - Qual é o perfil dos professores convidados a dar as partes práticas de cada módulo?

Mario - O perfil é de pessoas como o Dr. Ricardo Chemas, que além de ser considerado um dos neuropsiquiatras e cientistas brasileiros mais reconhecidos internacionalmente, vai dar uma parte eminentemente prática, interativa e cheia de humor sobre a passagem do velho para o novo paradigma. Os outros professores que estão programados para os dois primeiros semestres têm também o perfil de serem muito reconhecidos e respeitados em suas áreas de trabalho.

Omega - Na sua experiência, depois de ter ministrado por quatro anos consecutivos cursos introdutórios à Psicologia Transpessoal, qual é o resultado prático que você espera que os participantes obtenham neste curso que é tanto teórico quanto vivencial?

Mario - Saber o que eles querem como terapeutas holísticos. Alguns vão querer trabalhar com Chacras e Energia; outros com Astrologia; alguns com pacientes terminais; outros com emergências espirituais. O que importa é: que eles vão ser bem encaminhados para saber com quem, e como podem aprofundar-se na técnica que escolheram.

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