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Cura
Psiquiátrica:
Uma abordagem Oniro-Toxicológica
A Neuropsiquiatria, a Física Quântica e a Cura
Por
Ricardo Chequer Chemas, M.D., FRSM
Há
cerca de cinco anos atrás, num início de tarde tropical
que prometia ser igual a tantas outras, solicitei à minha
secretária que fizesse entrar o primeiro paciente do período.
O homem que se sentou à minha frente estava visivelmente
ansioso, ou melhor, indisfarçavelmente irritado. Havia esperado
demais, disse ele com enfado e uma certa indignação
latina, pois não estava ali porque quisera estar, mas sim
por causa de sua mulher e de sua mãe, que insistiram muito
para que ele estivesse com o Dr. Chemas.
A
sua história clínica era, como eu viria logo a saber,
a um só tempo comum e terrível: Há um ano atrás,
após meses de atormentadoras dores de cabeça e não
menos atormentadores exames complicados (Ressonância Magnética
Nuclear, Tomografia Computadorizada do Crânio, Angiografia
Cerebral, etc), Carlos Roberto, que é formado (com louvor)
em Física Avançada, soube de forma lacônica
que possuía uma estranha criatura, chamada Meningeoma Cerebral,
crescendo dentro da sua cabeça.
O
estranho tumor, em forma de um horrendo polvo pálido, já
se fazia sentir de maneira mais palpável e concreta do que
simples (embora lancinantes) dores de cabeça: Carlos Roberto
começara a perder a visão no olho esquerdo.
A
decisão quanto à solução cirúrgica
foi rápida e quase impensada, pois o que importava mesmo
era que “aquilo” fosse arrancado dali o mais rapidamente
possível, e a qualquer custo. Só que este último
iria ficar muito caro. Após a delicada intervenção,
Carlos Roberto encontrou-se também privado da visão
no olho esquerdo, agora em caráter definitivo.
“Bem”,
pensou de forma compensadora, “pelo menos fiquei livre daquele
maldito tumor”. Não ficara. Seis meses após
a traumática experiência da neurocirurgia, os sintomas
(e “... aquele maldito tumor”) haviam voltado. Recidiva.
A asquerosa criatura em forma de polvo media já por volta
do tamanho de uma pequena laranja. O colega que o operara da primeira
vez sugeriu faze-lo novamente. Então, Carlos Roberto desapareceu.
Não desejava arriscar-se à possibilidade hedionda
da perda definitiva do outro (e último) olho. Decididamente,
não o faria.
Foi
então que sua mãe e sua esposa lhe falaram do misterioso
médico que atendia na própria biblioteca, em meio
a antigos e poeirentos tratados de medicina greco-egípcia,
escritos em hierático, e que perguntava aos pacientes coisas
estranhas, tais como com o que sonhavam, e, caso lembrassem dos
sonhos, se sonhavam estando em perigo de cair em abismos atrozes
e insondáveis, com fogo ou escutando música, com fantasmas
ou inundações, etc., etc. Se a resposta fosse afirmativa,
murmurava-se à boca pequena que o Dr. Chemas então
passava a administrar a estes mesmos pacientes medicamentos preparados
a partir de substâncias químicas puras, as quais eram
retiradas de uma enorme caixa aonde se encontravam representados,
de forma concreta, praticamente todos os elementos químicos
que constituem a Tabela Periódica. Pior: o excêntrico
doutor ainda correlacionava temas sonhados com substâncias
químicas puras!
Carlos
Roberto a princípio pensou que os seus familiares haviam
ficado semi-enlouquecidos pelo trauma da sua súbita tragédia
neurológica, e estavam então a buscar medidas desesperadas
para tentar livrá-lo de uma repetição do suplício
pelo qual mal havia ainda acabado de passar.
Algum
tempo depois, já que não havia outra escolha à
vista, e até mesmo para acalmar um pouco o visível
pânico que havia tomado conta da sua família, Carlos
Roberto se deixou conduzir até o meu consultório.
Aí
estava ele, então, suando e resfolegando, à minha
frente.
-
"Afinal, com o que o senhor sonha, Sr. Carlos Roberto?”
Eu havia feito a tão aguardada pergunta.
-
"Pescarias, Doutor”, respondeu Carlos Roberto, um tanto
acanhado; “peixes e pescarias”.
Cofiei
longamente a barba já grisalha, cuidadosamente fitando os
meus registros de Toxicologia. Em finais do século XIX, na
sua monumental obra (em vinte e cinco volumes!) Encyclopedia of
Pure Materia Medica, o Dr. Timothy Allen já havia compilado
dados experimentais que comprovavam, efetivamente, o fato de que
sujeitos intoxicados acidental ou experimentalmente com sais de
prata, ou mesmo com a prata metálica em estado coloidal,
sonhavam repetidamente com peixes ou pescarias.
Eu
conhecia também a natural afinidade da prata e dos seus sais
pelos tecidos e células do sistema nervoso, ou por células
ricas em neurotransmissores. Ainda na faculdade, na cadeira básica
de Histologia, nos utilizávamos destas mesmas propriedades
dos sais de prata para corarmos as lâminas preparadas com
finíssimos cortes de tecidos nervosos, tais como cérebro,
medula, nervos e gânglios.
Rapidamente
percebi que o organismo humano de Carlos Roberto, em sua totalidade,
das células do seu meningeoma aos seus sonhos, que em verdade
traduzem a sua secreta atividade mais íntima, o “programa”
básico da criatura complexa feita de água e carbono
a que chamamos Carlos Roberto, vibrava em ressonância homeomórfica
com o espectro eletromagnético de emissão do átomo
da prata. Na minha cabeça se misturaram, em inorgânica
e vertiginosa sucessão, imagens de um ágil cardume
de peixes prateados perseguidos por um octópode monstruoso.
Assim,
percebi também que a administração de pequenas
quantidades de prata a Carlos Roberto poderia ser a chave para sua
cura, uma forma de estimular o sistema imunológico equivocado
daquele paciente a reagir, a reconhecer afinal aquela abjeta criatura
em forma de polvo dentro de si, o meningeoma, como um corpo indesejável,
um erro de padrão, um autômato finito que se tornou
estável por um equívoco na programação
da metacreatura plural , da colônia pluricelular chamada Carlos
Roberto
Em
algum ponto da fronteira imprecisa entre o mundo físico e
o simbólico de Carlos Roberto, a prata, por um mecanismo
desconhecido, se faz peixe sonhado. Da mesma forma, o peixe sonhado
e o horrendo tumor nada mais são do que faces distintas da
mesma moeda. Como isto se dá? De que maneira um padrão
de desordem celular dentro de um especimen aterrorizado de Homo
sapiens se encontra relacionado com os quanta de energia no átomo
do elemento químico de número atômico 47, a
prata?
Simplesmente,
ainda não o sabemos. No entanto, e a despeito do imenso tamanho
da nossa ignorância científica atual com relação
a este curioso fenômeno das correlações homeomórficas
entre séries afastadas de objetos do mundo, seis meses após
a administração oral de alguns femtogramas de prata
a Carlos Roberto, o seu tumor reicidivante havia desaparecido sem
deixar rastros, conforme constatado inequivocamente através
de uma nova Ressonância Magnética Nuclear
Dr.
Ricardo Chemas é Fellow da Royal Society of Medicine of the
United Kingdon. Esta honra de ser membro da Real Sociedade de Medicina
do Reino Unido da Grã Bretanha só é concedida
a pouquíssimos cientistas do mundo. Membro também
da New York Academy of Sciences (USA) e da British Association for
the Advancement of Science, Dr. Chemas é um dos médicos
e cientistas baianos mais laureados e reconhecidos internacionalmente.
Aqui nos revela um caso clínico encantador. |
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"Minha
Experiência com Astrologia Kármica"
por
Gicele Alakija
Uma
das perguntas que mais me fazem quando falo sobre o meu trabalho
com Astrologia Kármica é se esta abordagem não
cria nas pessoas uma acomodação e um eterno justificar
de atitudes em função do famoso karma, como se estivéssemos
irremediavelmente presos a ele...Eu respondo que não. Nesta
linha de trabalho a pessoa é estimulada a ser mais responsável
pelo seu próprio "destino" a partir de uma maior
consciência de que está colhendo agora tudo aquilo
o que plantou no passado, tendo, participação ativa
em tudo o que lhe acontece. Ela pode fazer suas escolhas dentro
de um propósito maior de vida, escolhido antes de reencarnar,
e que precisa ser lembrado para a pessoa entender sua liberdade
e responsabilidade de escolha. De fato "atraímos"
as experiências que precisamos para a nossa evolução
espiritual. Elas são nosso merecimento. Sei que não
é confortável pensar assim quando estamos no meio
de uma crise tentando evitar por todos os lados a dor da mudança.
Em
1987 eu ministrava cursos na PUC/SP. Faltava pouco para concluir
minha tese de Doutorado na USP quando me vi no meio de uma tremenda
crise pessoal e profissional em que eu questionava tudo. Não
entendia o que estava acontecendo nem sabia se queria mudar ou
o que fazer para mudar. E respeitando todos os trâmites
legais, rompi com tudo o que eu fazia na época... Eu estudava
Astrologia desde 83 por curiosidade - só depois eu entendi
por que – retomei meus apontamentos e debrucei-me freneticamente
sobre o meu próprio mapa astrológico na esperança
de encontrar alguma luz esclarecedora. Feliz da vida com as descobertas,
passei algum tempo estudando sozinha.
Atraí,
assim, quase que imediatamente, pessoas que buscavam o autoconhecimento
através da Astrologia e que procuraram a minha orientação
naquele momento porque eu estudava e pesquisava! Quando dei por
mim, estava atendendo profissionalmente de corpo e alma como astróloga
e com uma familiaridade muito grande com o tema. Mais tarde, atraída
para o Instituto Delphos, onde se ministrava um curso superior
de Astrologia, senti-me inteiramente identificada com a abordagem
do karma (lei de causa e efeito segundo a qual se colhe o que
planta). Era como se eu conhecesse o assunto intensa e extensamente.
Definitivamente tornei-me astróloga, integrando no meu
trabalho todo o meu saber de psicóloga, professora universitária
e pesquisadora, começando naquele momento mais do que uma
nova carreira, uma etapa de vida que reconheço como de
grande importância para toda a minha postura pessoal e profissional
hoje.
Mas,
afinal, o que é essa Astrologia kármica que tanto
me fascinou? A consciência da existência de vidas
passadas e reencarnação. E isto significa aceitar
a lei segundo a qual o espírito se manifesta periodicamente
no mundo físico para aprender lições espirituais,
como: fé, justiça, verdade, amor, paciência,
equilíbrio, como preparação para etapas mais
evoluídas do ser. Nesta perspectiva, o mapa astrológico
de nascimento, a “fotografia do céu" naquele
exato momento, pode ser entendida como a bagagem que a pessoa
traz de vidas passadas, ou seja, seu karma. Por isso a data, a
cidade e o horário desse nascimento são fundamentais
para a elaboração do mapa, e a hora correta corresponde
ao momento da primeira respiração do indivíduo,
independente do parto ter sido normal ou por cesariana. Dentro
desta concepção, ninguém nasce num momento
por acaso; todos temos uma missão, um propósito
maior para desenvolver em cada encarnação. É,
portanto, uma escolha anterior ao nascimento que se dá
em função do que fizemos no passado e do que precisamos
aperfeiçoar.
A
configuração dos planetas no mapa astrológico
de nascimento, representando a foto do céu, vai mostrar
a escolha deste caminho. E a alma chega exatamente naquele céu...
Então o mapa todo é kármico porque indica
padrões de comportamentos do indivíduo, na sua maioria
trazidos de vidas anteriores, que vão se manifestar como
oportunidade de revisão do que não foi bem desenvolvido
no passado, bem como podem permitir uma continuidade de atividades
bem sucedidas, que aparecem como talentos e habilidades na vida
atual.
O
mapa astrológico sobre o qual me debrucei um dia em busca
de luz para o meu caminho não é uma adivinhação
nem prescreve receitas de sucesso; ao contrário, ele é
descritivo de uma situação que nasce junto com a
pessoa e tem a função de ajudá-la a entender
seus karmas e o sentido principal de sua vida atual. Costumo comparar
o mapa de nascimento a um livro de vida que vem junto com a pessoa,
contendo e contando sua história com início, meio
e fim.
No
decorrer da vida percebe-se o quanto alguns capítulos podem
ser rescritos enquanto outros capítulos devem permanecer
intocáveis por trazerem lições importantes
que não podem se modificar. O benefício maior do
aconselhamento astrológico na perspectiva kármica
é a possibilidade de a pessoa encarar as situações
repetitivas difíceis como fazendo parte de um padrão
de vidas passadas e procurar nova forma de lidar com este padrão
no presente, compreendendo-o no passado.
Quando
analisamos o mapa astrológico a partir da perspectiva do
karma da pessoa (individual, familiar ou coletivo) muitas destas
questões começam a fazer sentido e se encaixam como
peças de um quebra-cabeça na sua vida presente.
Há mapas que indicam questões kármicas na
área de família, por exemplo, uma dívida
de responsabilidade para com uma mãe que gera na pessoa
um comportamento de responsabilidade com ela, desde muito cedo
na vida. Em outros casos, pessoas que têm medo ou dificuldade
de dirigir, de começar algo novo ou de tomar decisões
importantes na vida, costumam revelar no mapa padrões que
levam à indicação do quanto foram autoritárias
numa encarnação anterior e provavelmente até
punidas por isto, na época. Hoje, se recolhem, se escondem,
protelam sua capacidade de dirigir, de decidir, e talvez precisem
mesmo desenvolver mais ponderação e compromisso
com estes assuntos.
Mas
enquanto não resolvem, sentem-se com o "freio puxado".
Há também mapas que revelam o medo da pessoa mostrar
certas habilidades por não confiarem nelas mesmas, provavelmente
pelo uso inadequado destes talentos no passado. Às vezes
a lição é aprender a ser mais humilde ou
a desenvolver novas habilidades...Em outras situações,
a pessoa está sempre envolvida com problemas coletivos
em que ela tem uma função clara de ajudar, apoiar,
salvar...
Existe,
portanto, uma relação entre determinadas posições
planetárias e prováveis tipos de karma. E é
claro que no processo de aperfeiçoamento espiritual temos
débitos e créditos de outras encarnações
a serem balanceados na nossa vida atual. Potencialmente, estamos
a todo o instante criando novos karmas e tentando resolver os
antigos. Na minha experiência, a simples compreensão
das questões kármicas ajuda a pessoa a buscar transformar
o padrão inadequado. Quase sempre é necessário
um trabalho terapêutico para ajudar nesta mudança.
O signo de nascimento que escolhemos nascer revela apenas uma
parte do que viemos aprender; é o mapa como um todo que
nos dá a indicação das questões principais
trazidas para serem trabalhadas, bem como o principal propósito
da alma nesta encarnação...
A
partir da minha trajetória pessoal, acadêmica e profissional
tenho percebido, comigo e com meus clientes, que com a aceitação
da continuidade da existência fica mais fácil compreender
as coisas que nos acontecem, mesmo aquelas que de início
parecem incompreensivelmente dolorosas e para as quais ainda não
encontramos uma explicação objetiva.
Gisele
Alakija é psicóloga pela UFBa (1974). Mestre em
Psicologia pela USP (1982) com a tese “Uma caracterização
preliminar do relacionamento afetivo no casamento”. Chegou
até a qualificação de sua tese doutoral na
USP tendo como tema de tese de seu trabalho como coordenadora
da Creche da Pontifícia Universidade Católica “A
socialização da criança na creche”.
Astróloga desde 1987, com aperfeiçoamento no Instituto
Delphos – SP (1991). É formada em Terapia Regressiva
Integral pelo Woolger Training International (1999). Seu artigo
traz uma clara luz sobre este tema.
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A
mudança, a evolução e o crescimento são consubstanciais à Vida.
A meditação é a melhor ajuda. O Lama Padma Santem nos ensina o quanto
ela é simples e prazerosa.
Quando
as coisas e os homens perdem sua simplicidade original, encontramos
algumas existências tranqüilas, pessoas cujo semblante iluminado
reflete a luz interior daqueles que chegaram a Paz. São os que vivem
uma vida naturalmente vitoriosa, e, portanto, possuem uma notável
habilidade de motivar e orientar suas vidas e a dos outros por valores
espirituais e universais. Essas características da profunda sabedoria
existem, sem dúvida, na fisionomia do Lama Padma Santem. Doutor
em Física Quântica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul,
ele é o primeiro brasileiro a ser ordenado Lama na linhagem Ningma,
do Budismo Tibetano, pelo venerado Mestre S.E. Chagdu Tulku Rimpoche.
Lama Santem dedica à paz mundial todo seu tempo e sua energia.
A
sua presença amorosa e sua mente brilhante são marcadas pela sonoridade
de suas idéias expressas em frases claras, ditas em uma voz branda
e suave, quando nos ensina a resgatar o respeito por todos os seres
humanos, realçando a bondade intrínseca inerente ao coração de todos
os homens. Ele falou para Revista Omega sobre Meditação. Porque
meditar? Para quê? Qual a importância da Meditação?
A
dificuldade de viver na impermanência de um mundo que avança aparentemente
sem rumo deixa o homem com a mente intranqüila, cheia de frustrações
e insatisfações e o impede de ter a serenidade necessária para o
essencial: o conhecimento de si mesmo.
A
Meditação que "deveria ser constante em nossa vida, e não um
remédio", motiva o ser a criar um tempo, todos os dias, para
receber a luz que precisa para viver. Ele citou o trecho da Bíblia
em que o Mestre diz: "A casa de meu Pai tem muitas moradas".
A meditação é uma das melhores formas de visitá-las. E acrescenta:
"não importa a forma como a meditação é conduzida, nem os resultados
que pretenda alcançar ou a velocidade com que sejam obtidos.
Todas funcionam como remédio, e não devem ser usadas para sempre
e sim, até atingir a nossa libertação". E continua: "Quando
começamos a entender a profundamente através da meditação o que
temos no Inconsciente - que é a nossa prisão intrínseca - percebe-se
o quanto somos encadeados aos processos internos. A nossa mente
tem vastas regiões inconscientes, e delas brotam sentimentos, impulsos
e as reações dos nossos sentidos físicos. Precisamos conhecê-las
para termos o domínio da nossa própria vida e avaliar melhor a perda
de liberdade da nossa situação Real".
Mas
qual é essa situação Real? " A percepção da realidade de forma
direta - esclarece Padma - é perturbada pelas marcas de identidades
que criamos para nós mesmos, pelos processos de rigidez, de violência
e defesa, de atividades incessantes que operam em nós, contribuindo
para que a estrutura de todas as nossas ações seja distorcida por
esses aspectos".
Vê-se
claramente que o objetivo maior da meditação, além de permitir-nos
enxergar a complexidade de nossas ações de forma realista, é reconhecer
nossa face verdadeira, única. É essa face verdadeira, alvo da meditação,
a construtora de identidades desconhecidas que insistem em existir
de forma disfarçada e provocam nossas crises de sofrimento. meditar
é libertar-nos da sensação de prisão a que nos submetem as marcas
dessas imagens fantasmagóricas, que determinam o rumo de nossa caminhada.
"Podemos
olhar a Lua através de poças d' água", compara o Lama... "A
nossa prisão está no fato de só conseguirmos olhar as pessoas e
as circunstâncias (as nossas Luas) através das poças d' água, quando
o objetivo é olhá-las de forma direta. Não é o objetivo místico
de olhar a Lua na sua aparência perfeita, nem o objetivo comum de
esquecer a lua e concentrar-me somente nas poças, mas é movimentar-se
em meio às circunstâncias com as aparências e identidades como devem
ser, e movimentar-se em meio às circunstâncias com plena Liberdade.
Liberdade?..."é
libertar-se de si mesmo", explica. Romper as barreiras que
nos separam uns dos outros é "um processo de comunicação indispensável
como forma poderosa de meditação". " Isso é lucidez e
liberdade. Liberdade é cura", e continua, " quando a pessoa
tem a experiência de sentir a Lua e sabe filtrar o que existe nas
poças d' água, então tem liberdade".
Não
é fácil, porém, fazer a mente rodopiante do homem ocidental parar
e com a coluna ereta procurar tranqüilidade, porque a semente da
intranqüilidade gerada no cotidiano se reflete no próprio ato da
meditação. é difícil, mas imprescindível. " A meditação só
é desnecessária para os que compreendem diretamente", recorda
o Lama citando os ensinamentos de Longchempa - erudito e codificador
da linhagem Ningmapa: "Para os que ainda não entendem: a meditação".
A
relevância da meditação está no fato de ela ser "um processo
pelos quais vamos cruzar etapas para atingir a libertação completa";
existem diferentes métodos para cruzar essas etapas: o silêncio,
o mantra, a compaixão, mas acima de tudo a transformação da prática
de nossa vida cotidiana através da auto-observação constante".
Meditar
é despertar, descobrir as nossas dificuldades e permitir que a nossa
dimensão infinita de energia, amor e compaixão se manifeste; é transcender
as identidades, fixações e construções da nossa mente para que o
extraordinário e divino floresçam como lótus na lama da natureza
humana ainda ignorante. "è em silêncio que os meditantes penetram
nessa grande névoa de significados e chagam à natureza da Liberdade,
à Totalidade do Ser". |
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Como
está a Psicologia Transpessoal na Bahia, no Brasil e no Mundo?
por
Ana Lúcia Dantas
Mario
Rodriguez Risso (Montevidéu, 1949) viveu e estudou, desde
os 18 anos nos EUA, Alemanha, França, Espanha e, desde 1983,
em Salvador. Formou-se em Psicologia em 1979 pela Universidade Central
de Barcelona. Estudou com vários dos grandes nomes da Psicologia
Mundial. Psicanalista até 1987, abraçou a partir desta
data a Psicologia Transpessoal, que ensina desde 1995. Foi docente
de Psicologia das Faculdades de Educação e Turismo
da Bahia.
Revista
Omega - O que é a Psicologia Transpessoal?
Mário
Rodriguez Risso - Para responder é preciso
falar um pouco da história da Psicologia no séc. XX.
Ela começou com o chamado Behaviorismo ou Condutismo; depois
veio a Psicanálise, depois a Psicologia Humanista. A Psicologia
Transpessoal (Psc. Trp.) fez a síntese de todas elas. Mas
o notável é que acrescentou ao conhecimento da Consciência
todo o saber sobre a alma humana acumulado no Oriente e Ocidente.
Quer dizer, a fusão do conhecimento total do homem sobre
si mesmo em todas as culturas da Humanidade.
Omega
- Como foi o percurso para se chegar desde Freud - criador da Psicanálise
no início do século passado - até a Psicologia
Transpessoal no início deste novo milênio?
Mario
- Freud com a “descoberta” do Inconsciente deu uma contribuição
ímpar. Ela está particularmente bem expressa no seu
livro publicado em maio de 1900 – “A Interpretação
dos Sonhos”. Ele abriu o século com este grande clarão,
mas afirmou depois: “Eu só me interesso pelo porão
da alma humana” e escreveu em seu último livro “Moisés
e o Monoteísmo”, publicado em Londres, em 1939, pouco
antes de sua morte: “Toda religião é um delírio
coletivo”. Isto é a antítese do que sentimos
como verdadeiro neste momento da Humanidade. A palavra Religião
(do latim re-ligare), afinal, significa a reconexão com a
fonte da Consciência Universal que alguns chamam Grande Espírito,
outros de Poder Superior, e outros simplesmente Deus. Este aspecto
ateu de Freud naturalmente foi observado e criticado pelos seus
discípulos mais brilhantes – Jung, Reich, Ferensczi
- na Europa do seu tempo, e por todos os grandes expoentes da Psicologia
Humanista que trabalharam no pós-guerra nos EUA, Abraham
Maslow, Jacob Moreno, criador do Psicodrama; Fritz Perls, criador
da Gestalt; Lowen, Keleman e Pierrakos, criadores da Bioenergética,
entre muitos outros. Eles pararam de olhar só para o lado
doente e patológico da psique humana e afirmaram que a criação
artística em todas as suas vertentes: literárias,
arquitetônicas, musicais, e em todas as Belas Artes, são
uma demonstração patente de que o Divino também
nos habita e que podemos torná-lo predominante com nosso
próprio esforço pessoal. Neste último quarto
de século, o trabalho dos pioneiros transpessoais em Psicologia
das Religiões Comparadas nos mostrou claramente que, em essência,
todas as grandes tradições concordam nos mesmos pontos,
divindades e crenças, simplesmente dão a eles diferentes
nomes.
Omega
- Mas o panorama psicoterapêutico dos últimos 50 anos
foi dominado claramente pela Psicanálise. Qual é a
diferença básica na percepção da consciência
entre a Psicanálise e a Psicologia Transpessoal?
Mario
- A Psicanálise sempre teorizou e trabalhou com o Inconsciente
individual, definindo todos os seres humanos em uma das três
seguintes categorias: neuróticos, psicóticos e perversos.
Esta não é uma terminologia construtiva da condição
humana. A Psicologia Transpessoal reivindica a essência divina
como a semente no âmago de todo ser humano. Para ela, todos
nos encontramos no caminho da Consciência Plena, seja ela
chamada de Iluminação ou Purificação
ou Ascensão. Só isto já marca a diferença
paradigmática mais notável. O homem não é
um animal submetido só às paixões inconscientes
de agressividade e sexualidade. É um Ser a meio caminho entre
sua origem instintiva e seu destino divino.
Omega
- Qual é a contribuição da Psicologia Transpessoal
que a diferencia das outras?
Mario
- Entre todas as outras, a Psicologia Transpessoal é a que
possui a mais ampla e variada literatura sobre os diferentes estados
da consciência, incluindo entre eles os estados alterados
e expandidos da consciência. Ela é a que mais textos
comenta e a que estuda os estados de Consciência Cósmica,
a Morte e o Renascimento do ego, e todos os estados superiores à
consciência ordinária. Em outras palavras, ela contata
com os estados saudáveis e criativos do espírito humano,
propiciando o equilíbrio corpo-mente e a sua interação
com a dimensão transcedente do ser.
Omega
- Sim, mas quais são os métodos terapêuticos
que ela utiliza?
Mario
- São inúmeros, e vão desde os vários
tipos de Meditações ativas e passivas; Visualizações
Criativas (que permitem ao paciente visualizar o que ele quer para
sua vida); trabalho corporal (para reativar as memórias ancoradas
no corpo); Imaginação Ativa com usos de símbolos,
mitos e arquétipos; todas as técnicas regressivas;
Sonho Catártico Diurno, Morte e Renascimento Psicológico
do Ego; música evocativa e uma forma particular de respiração
chamada holotrópica que, como seu nome indica, nos leva em
direção à percepção da Totalidade.
Estas são só as mais freqüentemente utilizadas.
A Transpessoal incorporou a seu arsenal terapêutico as melhores
técnicas da Psicologia Humanista, particularmente as da Gestalt,
Bioenergética e Psicodrama.
Omega
- Quem você considera o maior precursor da Psicologia Transpessoal?
Mario
- Para mim, sem dúvida, o grande psiquiatra suíço
Carl Gustav Jung. Ele foi o primeiro a romper com Freud; o primeiro
a viajar intensa e extensamente pelo mundo e contatar com as principais
culturas – Grécia, Egito, Índia, EUA, entre
outras. Ele fez o Prólogo à primeira versão
ocidental do I Ching chinês; comentou amplamente o “Livro
Tibetano dos Mortos”; analisou extensamente os Sutras, de
Patanjali. Ele se interessou e escreveu prolificamente sobre Alquimia,
Astrologia, Numerologia, Quiromancia, Tarot, entre várias
outras vias de acesso ao Inconsciente, na época chamadas
místicas, mágicas, esotéricas e ocultas. Ele
iniciou a Grande Síntese. É quase nosso contemporâneo.
Fez a passagem em 1961, com 86 anos. No seu trabalho fecundo se
inspiraram vários dos grandes psicólogos transpessoais.
Omega
- Quem são, hoje, no mundo os maiores expoentes da Psicologia
Transpessoal?
Mario
- Muitos. Primeiro pelo merecimento de ter cunhado o termo Transpessoal
em 1967, Stanislav Grof, que durante os últimos quarenta
anos realizou um trabalho pioneiro com LSD e os estados expandidos
da Consciência. Ken Wilber, sem nunca ter visto um paciente,
portanto sem experiência clínica, teorizou em todos
os seus brilhantes livros essa Grande Síntese entre Oriente
e Ocidente. Stanley Kripner é o grande antropólogo
transpessoal. Ninguém conhece as mais de 250 diferentes tribos
indígenas do Brasil e seus ritos xamânicos melhor do
que ele. Daniel Goleman, que foi professor de Psicologia Transpessoal
em Harvard, é amplamente conhecido pelos seus livros “Inteligência
Emocional” e “A Mente Meditativa”. Roger Woolger,
já bem conhecido no Brasil, autor de “As Várias
Vidas da Alma” e “A Deusa Interior”. Atualmente
seu trabalho com Terapia Regressiva Integral é considerado
a vanguarda em Regressão de Memória. Não vale
a pena continuar citando nomes e sim constatar simplesmente um fato:
mais de 50% de todas as teses doutorais em Psicologia realizadas
na última década nos EUA são sobre temas transpessoais.
Omega
- E no Brasil, quem são os nomes que se destacam?
Mario
- Sem dúvida, esta lista se inicia com Pierre Weil, criador
e idealizador da Universidade Holística “Cidade da
Paz” da qual é reitor. Ele organizou o IV Congresso
Internacional de Transpessoal no Brasil, em Belo Horizonte, em 1978
quando foi criada a I.T.A. (International Transpersonal Association).
O vice-reitor da UNIPAZ, Roberto Crema, e Vera Saldanha, presidente
da Associação Luso-Brasileira de Psicologia Transpessoal,
ocupam lugares de destaque. A baiana Aídda Pustinik e a argentina,
paulista por adoção, Theda Basso, merecem uma menção
especial.por terem introduzido no Brasil a “Dinâmica
Energética do Psiquismo” assim como a metodologia Pathwork.
Omega
- Quem se destaca na Bahia no trabalho Transpessoal?
Mario
- É sempre injusto citar alguns nomes e omitir outros, mas,
sem dúvida, na Bahia, além de Aídda e Theda,
Eunice Rodrigues e o seu trabalho em Biosíntese; Lika Queiroz
com o seu trabalho de fusão da Gestalt com o Transpessoal;
Gisele Alakija e o seu trabalho de Astrologia Kármica; Miklos
Burger e Ana Liése Leal que no “Instituto Transpessoal”
aplicam essas técnicas. Connie Dittmar e o seu trabalho de
“Dolphinbreath”. Ruth Brasil que junto com Daise Wolf
têm um dos currículos mais completos em Terapia Regressiva;
e Eunice Tabacof que está fazendo a ponte entre a Psicanálise
e a Psicologia Transpessoal. Carlos Alberto Leandro com seu trabalho
sistêmico com dependentes químicos e seus familiares.
Os doutores em Medicina, Carlos São Paulo, do Instituto Jungiano,
e André Luís Peixinho, do Instituto Holon, que ministram
cursos de Transpessoal através da Fundação
Para Desenvolvimento das Ciências, e todos os membros do Conselho
do Pathwork da Bahia são os que, sem dúvida, precisam
ser mencionadas para ficar só nesses, entre inúmeros
outros.
Omega
- Em que medida o “Pathwork”, o “Curso em Milagres”,
“O Jogo da Transformação” e outras técnicas
afins têm contribuído para o desenvolvimento da Psicologia
Transpessoal?
Mario
- Muito. Elas são Psicologia Transpessoal na sua mais pura
essência, porque ambas provêm de fontes de Inteligências
Superiores, tanto o Curso em Milagres como as 257 palestras do Pathwork
são em si mesmos cursos completos de Psicologia Transpessoal.
Omega
- O que você compreende por Inteligências Superiores?
Mario
- Os Mestres ascensionados. Aqueles que já completaram a
sua caminhada na Terra e se manifestam nas oitavas etéricas
superiores da Consciência. Nós os conhecemos como a
Hierarquia da Grande Fraternidade Branca. Para citar alguns deles,
Mestre Jesus, Gautama Buda, o Senhor Maitreya, Mestre El Morya,
Saint Germain, Sanat Kumara, dentre inúmeros outros.
Omega
- A que você atribui as grandes honras internacionais que
um escritor com textos tão claramente transpessoais, como
Paulo Coelho, está recebendo?
Mario
- Isso nos mostra um claro processo de re-espiritualização
do Ocidente. O fato de A Grande Cruz da Honra da França,
máxima condecoração deste país, ter
sido dada a Paulo Coelho pelo próprio presidente Chirac,
por ter vendido só na França mais de cinco milhões
de exemplares de seus livros e 35 milhões no mundo todo,
revela a sede ocidental por resgatar as verdades do que Aldous Huxley
chamou: Filosofia Perene.
Omega
- De fato, há trinta anos os temas transpessoais eram tratados
como místicos, mágicos e esotéricos. Hoje são
discutidos em teses doutorais das grandes universidades do mundo.
O que ocorreu?
Mario
- Primeiro houve um avanço científico e tecnológico
exponencial, e grande parte do que se descobriu em Física,
Biologia, e Psicologia confirma plenamente as teses deste novo paradigma
da Ciência. Isto quer dizer que o Universo todo é um
ser vivo em expansão, infinitamente interligado em múltiplas
dimensões espaço-temporais. Isto na ciência
quântica, holística e sistêmica confirma as teses
da Psicologia Transpessoal. Segundo ponto: estudou-se muito nesses
últimos trinta anos a mitologia comparada dos diversos povos
de toda a Terra. Os antropólogos comprovaram que todas as
culturas da Terra, especialmente as que se tornaram berço
de grandes tradições de Conhecimento, possuem mitos
semelhantes da Criação da Vida. Todos eles compartem
crenças comuns. Tomemos como exemplo a Trindade do Cristianismo:
Pai, Filho e Espírito Santo. Ela se repete na sabedoria faraônica
do Egito, como Osiris, Isis e Horus, ela se repete no Hinduísmo,
como Brahma, O Criador; Shiva, O Preservador; e Vishnu, O Destruidor.
Vemos esta Trindade se repetindo em todas as grandes culturas. Isso
nos leva a inferir que a Verdade deve ser por aí e investigar
esse caminho. A meditação oriental versus a ciência
e tecnologia ocidentais, Buda e a bomba, a intuição
e a razão formam parte deste encontro Oriente e Ocidente.
A ciência ocidental deste fim de século conseguiu o
feito ímpar de demonstrar cientificamente o que os mestres,
sábios e iluminados, de todas as grandes tradições
de conhecimento da Humanidade sempre souberam.
Omega
- Esse encontro entre Oriente e Ocidente que está acontecendo
na Terra seria, então, o equivalente à síntese
que está se processando em nossas mentes entre o hemisfério
Yang, masculino, racional e o hemisfério Yin, feminino, intuitivo?
Mario
- É isso mesmo. Como a parte está contida no Todo
e o Todo está contido na parte, e esta é a essência
do paradigma holístico ou holográfico, nós
estamos processando a nível individual o que o ser maior,
a Terra, também está processando a nível Solar.
Omega
- Explique melhor isso de a Terra estar processando a nível
Solar como exemplo do paradigma holístico.
Mario
- Holístico vem do grego Holos, que quer dizer Totalidade.
Não é mais possível que os médicos cuidem
só do corpo físico, que os psicólogos cuidem
só da mente, que os bioenergetistas se concentrem na expressão
das emoções e que os padres e ou religiosos cuidem
do espírito. É imprescindível compreender o
ser humano neste quaternário físico, emocional, mental
e espiritual e propor estratégias de cura que levem em conta
esta Totalidade interdependente. Isto quer dizer holístico.
E os terapeutas precisam tornar-se holísticos. Nós
seres humanos somos as células inteligentes, os neurônios
de um ser vivo chamado pelos gregos Gaia, nossa Terra, que tem inúmeras
outras células animais, vegetais e minerais. Gaia, por sua
vez, forma parte de um sistema maior, chamado Solar, que forma parte
de outro maior chamado Via Láctea, que forma parte de outro
maior chamado Cosmos, que etimologicamente quer dizer Ordem, em
contraposição a Kaos, que também em grego quer
dizer Desordem. Vivemos num universo inteligente e de um grau de
organização tão perfeita que está além
da nossa compreensão humana ou das nossas palavras poderem
descrevê-la.
Omega
- Por que a compreensão da natureza transpessoal da consciência
desafia tanto as bases fundamentais de nossa sociedade?
Mario
- Porque boa parte de nossa sociedade ocidental, na sua forma de
pensar, ainda está ancorada no velho paradigma científico,
newtoniano-cartesiano, que só percebe e registra aquilo que
pode ver e medir. A física quântica nos demonstra e
o cinema o tem expressado muito nos últimos tempos com filmes
como “Matrix”, “O Sexto Sentido”, “Joana
d’Arc” e “À Espera do Milagre” entre
muitos outros, que vivemos interpenetrados por múltiplas
realidades que normalmente não percebemos. Isto abala os
alicerces de nosso pensamento ocidental, e, portanto, revoluciona,
como está revolucionando rapidamente toda a estrutura da
nossa sociedade global. |
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Budismo
Tibetano
por Ana Liése Leal
A
palavra “BUDDHA” significa Desperto, Iluminado. Um Buda
é um ser que despertou do sono da ignorância e ilusão
e por isso venceu o sofrimento.
Ser
“Buda” é possuir um estado mental incomum aos
seres humanos, livre dos chamados “venenos da mente”.
Estado incomum porque raro, mas absolutamente natural. Isso mesmo,
o estado búdico é algo inerente ao ser humano, que
ordinariamente não o manifesta porque se deixou iludir pela
“teia de Maya” como diriam os hinduístas, referindo-se
ao auto-engano em que incorremos quando nos sentimos identificados
com a personalidade que representamos nesta vida e perdemos de vista
o Atman existente em nós. O ser iludido por “Maya”,
completamente envolvido no ciclo de nascimentos, mortes e renascimentos
de personalidades ou fenômenos, chamado no Budismo de “Roda
de Samsara”, deverá percorrer um caminho de disciplina
e aprendizado para desfazer-se do auto-engano que o leva ao sofrimento
constante. Uma vez que esse caminho seja percorrido, a natureza
diamantina da sua mente brilhará num estado pleno de Bem-Aventurança,
que beneficiará não apenas ao caminhante vitorioso
mas também a uma enorme quantidade de seres.
Quando
normalmente dizemos “Buda”, ou nos referimos ao Buda,
geralmente pensamos num determinado homem que alcançou a
iluminação há aproximadamente 600 a.C., a quem
também conhecemos por Sidartha Gautama, ou Buda Sakyamuni.
Aquele homem nasceu no seio da família Sakya, filho do rei
Suddodhana e da rainha Mayadevi, exatamente no ano 624 a.C., na
cidade de Lumbini, ao norte da Índia, onde é hoje
o Nepal.
O
estudo da biografia do Buda mostra-se muito rico em significado,
trazendo “ïnsights” profundos a quem se dedique
a examinar o caminho por ele trilhado como uma analogia ao próprio
desenvolvimento espiritual. Vale a pena fazê-lo, aqueles que
querem aprofundar-se no assunto, pois a vastidão do Dharma
do Buda, dos seus ensinamentos, é de tal modo oniabarcante
que é percebido no exame mesmo dos pequenos e grandes fatos
que compõem a sua biografia. Após renunciar ao palácio
em que morava e ao seu conforto e prazeres, e passar algum tempo
no modo de vida de rigores ascéticos, o Buda realizou a culminância
da sua trajetória com a ILUMINAÇÃO - diz-se
que aos 35 anos, sentado sob uma figueira (“ficus indica”),
à margem do rio Neranjara, em Gaya, na Índia, durante
a lua cheia do mês de maio, ou do signo Touro, tais como ocorreram
seu nascimento e sua morte.
Conta-se
que o Buda Sakyamuni faleceu aos 80 anos, em Kusinara, após
ensinar durante 45 anos a todas as classes de homens e mulheres,
de reis e brâmanes (sacerdotes), a párias, mendigos
e bandidos, sem fazer distinção entre eles como seres
capazes e mesmo destinados a escaparem do Samsara e a atingirem
o estado de Iluminação. Seu sistema moral e filosófico,
que veio a tornar-se também religioso, é chamado de
DHARMA e ficou conhecido em todo o mundo como BUDISMO.
Destinado
a difundir-se em todas as direções do planeta, onde
quer que existam pessoas que sofram, o Budismo seguiu com os discípulos
do Buda e cresceu em diversas regiões, àquela época
sobretudo na Ásia, adquirindo por vezes diferentes aspectos
na sua apresentação de acordo com hábitos e
costumes de cada povo e lugar, mas sem distanciar-se da essência
da sua verdade.
Após
a morte do Buda, em razão de divergências na interpretação
dos seus ensinamentos, surgiram duas correntes representadas pelas
Escolas Theravada (ou Hinayana) e Mahayana. A Escola Therevada difundiu-se
a partir de 300 a.C. no Ceilão, Birmânia, Tailândia,
Camboja, Laos e Paquistão. A Escola Mahayana desenvolveu-se
ao norte da Índia, Tibete e Mongólia, e só
bem mais tarde, no século V , na China, Coréia e Japão.
O Budismo que chegou ä China ficou conhecido como “Ch’
an”, por volta de 520 d.C., e o que chegou ao Japão,
como “Zen”, por volta de l200 d.C.
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Curso
Avançado de Psicologia e Psicoterapia Transpessoal
O
Instituto Omega realiza a partir do fim de semana 27 e 28 de maio
o primeiro módulo do Curso Avançado Profissionalizante
de Psicologia e Psicoterapia Transpessoal que contará em
cada encontro com os maiores e mais variados expoentes da Psicologia
Transpessoal da Bahia. Este curso de duração de dois
anos e meio será coordenado pelo Dr. Mário Rodriguez
e a equipe do Grupo Omega. A seguir Mário esclarece os pontos
mais relevantes do curso.
Revista
Omega - Por que você se propõe
a dar este curso?
Mario
Rodriguez Risso - Porque ele é muito necessário
na Bahia. Os médicos recebem na Faculdade pouca formação
psicológica, e os psicólogos uma formação
predominantemente psicanalítica. A Psicologia Transpessoal
está se tornando vertiginosamente predominante no mundo inteiro;
portanto é preciso formar profissionais nos seus métodos
terapêuticos.
Omega
- Qual o perfil do candidato a este curso?
Mario
- Psicólogos, médicos, assistentes sociais, terapeutas
ocupacionais, terapeutas corporais e todos aqueles que, em uma entrevista
prévia, demonstrem a qualificação necessária
e a vontade clara de clinicar.
Omega
- Então você admite que pessoas com outras formações
acadêmicas ou até sem formação superior
possam participar desses cursos?
Mario
- Sim, a experiência no mundo tem demonstrado fartamente que
os melhores terapeutas não são os doutores. Os melhores
terapeutas são aqueles que nasceram com esse talento. A estes
que já chegaram claramente com esse talento é preciso
dar as ferramentas técnicas necessárias.
Omega
- Você considera que pode se transformar um leigo em terapeuta
em dois anos e meio?
Mario
- Primeiro: não vamos aceitar leigos no curso e sim pessoas
que já tenham uma certa caminhada terapêutica. Segundo:
eu repito que se a pessoa tem o dom, o talento, ela só precisa
ver qual das técnicas da psicoterapia transpessoal se afina
melhor com ela, e aprofundá-la. É essa a razão
de convocarmos docentes em técnicas transpessoais das mais
variadas, para que o aluno tenha as mais amplas possibilidades de
escolha.
Omega
- E quanto à prática imprescindível para se
exercer como terapeuta holístico, como se adquire?
Mario
- Os formandos terão estágios supervisionados pelos
coordenadores do curso e o mínimo de horas de estudo e supervisão,
para serem incluídos na lista de terapeutas recomendados
pelo Omega.
Omega
- Qual é o grau de aproveitamento necessário para
se obter o título de terapeuta holístico e transpessoal
em julho de 2002?
Mario
- O curso além desse encontro em regime residencial no último
fim de semana de cada mês, terá um encontro quinzenal
de três horas com os coordenadores do grupo. O aproveitamento
mínimo para se obter um certificado é de 70% das atividades
totais do curso.
Omega
- Que validade tem o título que o Omega oferece ao terapeuta
formado?
Mario
- Hoje, sem dúvida, poder inscrever-se no Conselho Federal
dos Terapeutas Holísticos e filiar-se ao Sindicato Federal
dos Terapeutas Holísticos reconhecido pelo Ministério
do Trabalho. O Omega, como ONG, tem como um de seus objetivos a
criação de uma Faculdade de Estudos Holísticos
e Transpessoais reconhecida pelo MEC.
Omega
- Qual é o investimento desta formação transpessoal?
Mario
- Este ano, duzentos e cinqüenta reais por cada mês de
trabalho, o que inclui alimentação e hospedagem no
fim de semana e o encontro quinzenal de revisão. Nos próximos
anos pode haver um reajuste condizente com a nossa velha inimiga,
a inflação.
Omega
- Qual é o perfil dos professores convidados a dar as partes
práticas de cada módulo?
Mario
- O perfil é de pessoas como o Dr. Ricardo Chemas, que além
de ser considerado um dos neuropsiquiatras e cientistas brasileiros
mais reconhecidos internacionalmente, vai dar uma parte eminentemente
prática, interativa e cheia de humor sobre a passagem do
velho para o novo paradigma. Os outros professores que estão
programados para os dois primeiros semestres têm também
o perfil de serem muito reconhecidos e respeitados em suas áreas
de trabalho.
Omega
- Na sua experiência, depois de ter ministrado por quatro
anos consecutivos cursos introdutórios à Psicologia
Transpessoal, qual é o resultado prático que você
espera que os participantes obtenham neste curso que é tanto
teórico quanto vivencial?
Mario
- Saber o que eles querem como terapeutas holísticos. Alguns
vão querer trabalhar com Chacras e Energia; outros com Astrologia;
alguns com pacientes terminais; outros com emergências espirituais.
O que importa é: que eles vão ser bem encaminhados
para saber com quem, e como podem aprofundar-se na técnica
que escolheram.
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